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sábado, fevereiro 08, 2014

Vazões afluentes às hidrelétricas e PLDs em 06/02/2014

Em sistemas hidrotérmicos como o brasileiro a vazão afluente aos reservatórios é proporcional à energia hidrelétrica que se pode produzir. Por isso tal vazão é denominada Energia Natural Afluente (ENA) e medida, não em metros cúbicos por segundo, mas em megawatts médios (MW médios).

No submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) a vazão histórica média, ou Média de Longo Termo (MLT) é maior nos meses de dezembro a abril, denominado "período úmido", e menor de maio a novembro, denominado "período seco". Neste início de 2014, como mostra a Fig.1, as vazões do submercado SE/CO estão muito abaixo da MLT mensal.

A Fig.2 mostra que as vazões do submercado Sul são mais imprevisíveis, e até mesmo a MLT deste submercado não deixa clara a divisão entre um período seco e um período úmido. Já no caso do submercado Norte, como mostra a Fig.3, nunca é fácil prever se o período seco vai demorar mais ou menos para chegar, mas sempre é possível prever que, por volta de julho, ele terá se estabelecido. Situação semelhante ocorrer para o submercado NE, como mostra a Fig.4. Contudo, neste submercado, embora o período seco seja sempre seco, o período úmido nem sempre é tão úmido quando gostaríamos. É o que está acontecendo neste início de fevereiro, quando as vazões do NE estão aproximadamente duas vezes e meia abaixo da MLT mensal.

Por causa deste cenário pessimista de vazões, foi necessário acionar várias termelétricas, incluindo as caríssimas termelétricas a óleo. Como resultado, o PLD da semana passada "bateu no teto" de R$ 822,23/MWh em todos os submercados. Nesta segunda semana de fevereiro, embora o PLD continue no valor máximo no SE/CO e no Sul, os PLDs semanais médios no Norte e no NE fecharam respectivamente em R$ 204,95MWh e em R$ 740,56/MWh, conforme mostra a Tabela 1. Sinal de que o Operador Nacional do Sistema (ONS) está prevendo vazões levemente mais otimistas para o Norte e para o NE na semana operativa que se inicia. No SE/CO e no Sul, contudo, o cenário continua pessimista.

Fig.1 - Vazões do submercado SE/CO

Fig.2 - Vazões do submercado Sul

Fig.3- Vazões do submercado Norte

Fig.4 - Vazões do submercado NE

Tabela 1 - PLDs semanais médios para fev/2014

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O ritmo das chuvas no Sudeste

Assunto onipresente nos noticiários brasileiros atuais são as enchentes em Minas Gerais e em outros estados do Sudeste. Junto com as chuvas voltam à cena os questionamentos sobre a necessidade de investimentos em prevenção e contenção de cheias, os quais se atenuarão exponencialmente a partir de março, extinguindo-se quase completamente por volta de julho. Todavia, o ritmo das chuvas na região Sudeste é tão conhecido que o Setor Elétrico, por exemplo, trabalha há muito tempo com os conceitos de "período seco" (de maio a novembro) e "período úmido" (de dezembro a abril).

O gráfico abaixo mostra o comportamento da "Energia Natural Afluente" (ENA), ou simplesmente "vazão afluente", para os cinco últimos anos do submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO). Embora a ENA não represente toda a vazão em determinada região, mas apenas aquela parcela que entrou nos reservatórios das usinas hidrelétricas, já dá para se ter uma ideia muito boa do quadro geral das chuvas. A "Média de Longo Termo" (MLT) representa as vazões médias mensais calculadas para a série histórica de vazões, que contém dados desde 1931.


O gráfico deixa claro que os últimos quatro anos se encerraram com vazões acima da MLT. Para os consumidores de energia isso em geral é bom, pois significa que os reservatórios estão se enchendo, de modo que o período seco poderá ser enfrentado de maneira mais confortável, sem que muitas usinas termelétricas sejam acionadas. Para quem mora em áreas afetadas por enchentes, contudo, vazões acima da MLT não são notícia tão boa, como deixam claro as cenas de cidades alagadas e casas submersas. O detalhe é que tais cenas sairão dos noticiários à medida que as águas forem baixando e só retornarão por volta de dezembro próximo, dando a ilusão de que o problema fora resolvido em meados do ano.

E assim prossegue o ritmo das chuvas.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Atualização de armazenamentos dos reservatórios

No final de julho de 2011 as vazões afluentes nos submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste atingiram os valores de 114%, 161%, 93% e 81% sobre as respectivas Médias de Longo Termo (MLT) armazenáveis. Tais valores, todos eles próximos ou acima de 100%, têm permitido que os armazenamentos dos reservatórios equivalentes dos submercados encontrem-se atualmente em valores próximos ou superiores àqueles dos últimos cinco anos.

No caso do submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), o armazenamento ao final de julho último encontrava-se em 80,9% do volume máximo, conforme mostrado na Figura 1, maior valor desde 2007, embora apenas 1,1% superior ao respectivo armazenamento ao final de julho de 2007.

Figura 1 - Armazenamentos do submercado SE/CO
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Da mesma forma, o armazenamento do submercado Nordeste ao final de julho de 2011 encontrava-se em 80% do volume máximo. Conforme mostrado na Figura 2, este valor é superior aos armazenamentos de 2007, 2008 e 2010 na mesma data, mas inferior ao armazenamento de 2009.

Figura 2 - Armazenamentos do submercado Nordeste
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Ao final de julho último o armazenamento do submercado Norte encontrava-se em 89,6% do volume máximo, superior aos armazenamentos dos últimos cinco anos, conforme mostra a Figura 3.

Figura 3 - Armazenamentos do submercado Norte
(clique sobre a figura para ampliá-la)

O armazenamento total do submercado Sul, ao final de julho, encontrava-se em 94% do volume total, como mostrado na Figura 4, e tem sido bastante oscilatório, como é característica deste submercado. A grande oscilação do armazenamento do Sul não é em geral preocupante, pois o Sul é pouco representativo no total. Por exemplo, em termos das médias de 2011, de janeiro até o momento, o armazenamento do Sul representa apenas 7,1% e o Norte representa 4,8% do total. Os reservatórios mais preocupantes são, assim, o SE/CO, com 70,4%, e o Nordeste, com 17,7% do total.

Figura 4 - Armazenamentos do submercado Sul
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Os valores atuais de vazões e armazenamentos têm permitido PLDs abaixo de R$ 40/MWh desde meados de março último. Na primeira semana de agosto, por exemplo, os valores médios dos PLDs para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste fecharam, respectivamente, em R$ 17,40/MWh, R$ 15,49/MWh, R$ 17,50/MWh e R$ 17,50/MWh. Para fins de comparação, os respectivos PLDs na primeira semana de agosto do ano anterior haviam fechado em R$ 106,51/MWh, R$ 106,51/MWh, R$ 106,7/MWh e R$ 106,7/MWh, mais de 500% acima dos valores atuais.

O atual cenário de tranquilidade poderá ser alterado pela revisão das Curvas de Aversão ao Risco (CARs) das regiões Nordeste e Sudeste, solicitado pelo ONS [1] em função do atraso da entrada em operação de várias usinas termelétricas. A revisão, caso ocorra (a audiência pública na ANEEL foi suspensa) deverá aumentar o nível mínimo de armazenamento do reservatório de ambas as regiões. Caso tal nível seja atingido, as termelétricas disponíveis deverão ser despachadas fora da ordem de mérito, causando grande impacto no Encargo de Serviço do Sistema (ESS) e algum impacto no PLD.

[1] ONS. Revisão da Curva Bianual de Aversão ao Risco para as Regiões Nordeste e Sudeste - Biênio 2011/2012. Disponíveis em <http://bit.ly/qD221e> e <http://bit.ly/ofkyrA>.