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quarta-feira, abril 04, 2012

A elevação do PLD em março e abril de 2012

No último post deste blog, escrito já mais tempo do que seria razoável, encerrei dizendo que 2012 deveria ser um ano de PLDs baixos ou médios. Então, na terceira semana de março o PLD do Sul e do SE/CO atingiu R$ 137,24/MWh e iniciou abril em R$ 186,13/MWh. Valores nem um pouco baixos ou médios e totalmente atípicos para essa época do ano.

Em minha defesa, devo declarar que a previsão de PLDs baixos ou médios era uma espécie de consenso do setor no início de 2012. Ainda no início de fevereiro último, por exemplo, as previsões do CPTEC e do INMET (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e Instituto Nacional de Meteorologia) eram de precipitações entre a média e abaixo da média histórica para fevereiro, março e abril, nas bacias do Jacuí e do Uruguai, enquanto as precipitações ficariam em torno das medias histórica nas demais bacias do SIN (Sistema Interligado Nacional) [1]. Contudo, o fim abrupto do fenômeno La Niña, sem transição até o momento para o El Niño, alterou a situação. No momento, a ENA (Energia Natural Afluente) do SE/CO está em 88% da MLT. Já no Sul a ENA é 29% e no Nordeste é 66%.



Por causa de tal quadro de afluências, o ONS autorizou o despacho de usinas térmicas por POCP (Procedimentos Operativos de Curto Prazo). Em abril serão despachados 5.454 MW médios no SE/CO, 1.444 MW médios no Sul e 889 MW médios no NE por POCP. Com tal providência, espera-se elevar ou ao menos preservar os níveis dos reservatórios do SE/CO, Sul e NE, que estão com valores baixos para essa época do ano: 78,4% no SE/CO, 33,6% no Sul e 82,6% no NE. O comportamento das ENAs nos próximos meses também dependerá em grande medida do retorno do El Niño, que poderá ocorrer entre maio e junho. Até lá, contrariando as previsões iniciais, os PLDs deverão continuar elevados.

[1] ONS. Relatório Executivo do Programa Mensal de Operação - PMO de fevereiro, revisão 0, semana operativa de 28/01 a 03/02/2012.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O ritmo das chuvas no Sudeste

Assunto onipresente nos noticiários brasileiros atuais são as enchentes em Minas Gerais e em outros estados do Sudeste. Junto com as chuvas voltam à cena os questionamentos sobre a necessidade de investimentos em prevenção e contenção de cheias, os quais se atenuarão exponencialmente a partir de março, extinguindo-se quase completamente por volta de julho. Todavia, o ritmo das chuvas na região Sudeste é tão conhecido que o Setor Elétrico, por exemplo, trabalha há muito tempo com os conceitos de "período seco" (de maio a novembro) e "período úmido" (de dezembro a abril).

O gráfico abaixo mostra o comportamento da "Energia Natural Afluente" (ENA), ou simplesmente "vazão afluente", para os cinco últimos anos do submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO). Embora a ENA não represente toda a vazão em determinada região, mas apenas aquela parcela que entrou nos reservatórios das usinas hidrelétricas, já dá para se ter uma ideia muito boa do quadro geral das chuvas. A "Média de Longo Termo" (MLT) representa as vazões médias mensais calculadas para a série histórica de vazões, que contém dados desde 1931.


O gráfico deixa claro que os últimos quatro anos se encerraram com vazões acima da MLT. Para os consumidores de energia isso em geral é bom, pois significa que os reservatórios estão se enchendo, de modo que o período seco poderá ser enfrentado de maneira mais confortável, sem que muitas usinas termelétricas sejam acionadas. Para quem mora em áreas afetadas por enchentes, contudo, vazões acima da MLT não são notícia tão boa, como deixam claro as cenas de cidades alagadas e casas submersas. O detalhe é que tais cenas sairão dos noticiários à medida que as águas forem baixando e só retornarão por volta de dezembro próximo, dando a ilusão de que o problema fora resolvido em meados do ano.

E assim prossegue o ritmo das chuvas.