Mostrando postagens com marcador armazenamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador armazenamentos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Armazenamentos das hidrelétricas em 04/02/2014

Deve ser apenas brincadeira da natureza que em 04/02/2013 o armazenamento das hidrelétricas do SE/CO estivesse no mesmo valor que atingiu ontem, 04/02/2014: 39,2%. A vantagem de 2013 é que, naquela data, o armazenamento estava subindo, enquanto no momento está em leve queda, como mostra a Fig.1.

A Fig.2 mostra os armazenamentos do Sul, sempre muito variáveis, e a Fig.3 mostra os armazenamentos do Norte, que demoram um pouco mais ou um pouco menos para atingir 100% em maio, mas sempre chegam lá. A Fig.4 mostra os armazenamentos do Nordeste, indicando que 2014 poderá ser um ano tão difícil para este submercado quando foi 2013.

Ainda é cedo para se dizer se 2014 será tão difícil para o Setor Elétrico quando foi 2013, ano em que a produção termelétrica oscilou entre 11% e 23% da produção total. É possível, embora não altamente provável, que os reservatórios do SE/CO se recuperem, aos menos parcialmente, até o final de maio, quando novas elevações não são historicamente esperadas. De qualquer forma, os próximos meses serão tensos.

Fig.1 - Armazenamentos do submercado Sudeste/Centro-Oeste

Fig.2 - Armazenamentos do submercado Sul

Fig.3 - Armazenamentos do submercado Norte

Fig.4 - Armazenamentos do submercado Nordeste



segunda-feira, agosto 01, 2011

Atualização de armazenamentos dos reservatórios

No final de julho de 2011 as vazões afluentes nos submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste atingiram os valores de 114%, 161%, 93% e 81% sobre as respectivas Médias de Longo Termo (MLT) armazenáveis. Tais valores, todos eles próximos ou acima de 100%, têm permitido que os armazenamentos dos reservatórios equivalentes dos submercados encontrem-se atualmente em valores próximos ou superiores àqueles dos últimos cinco anos.

No caso do submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), o armazenamento ao final de julho último encontrava-se em 80,9% do volume máximo, conforme mostrado na Figura 1, maior valor desde 2007, embora apenas 1,1% superior ao respectivo armazenamento ao final de julho de 2007.

Figura 1 - Armazenamentos do submercado SE/CO
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Da mesma forma, o armazenamento do submercado Nordeste ao final de julho de 2011 encontrava-se em 80% do volume máximo. Conforme mostrado na Figura 2, este valor é superior aos armazenamentos de 2007, 2008 e 2010 na mesma data, mas inferior ao armazenamento de 2009.

Figura 2 - Armazenamentos do submercado Nordeste
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Ao final de julho último o armazenamento do submercado Norte encontrava-se em 89,6% do volume máximo, superior aos armazenamentos dos últimos cinco anos, conforme mostra a Figura 3.

Figura 3 - Armazenamentos do submercado Norte
(clique sobre a figura para ampliá-la)

O armazenamento total do submercado Sul, ao final de julho, encontrava-se em 94% do volume total, como mostrado na Figura 4, e tem sido bastante oscilatório, como é característica deste submercado. A grande oscilação do armazenamento do Sul não é em geral preocupante, pois o Sul é pouco representativo no total. Por exemplo, em termos das médias de 2011, de janeiro até o momento, o armazenamento do Sul representa apenas 7,1% e o Norte representa 4,8% do total. Os reservatórios mais preocupantes são, assim, o SE/CO, com 70,4%, e o Nordeste, com 17,7% do total.

Figura 4 - Armazenamentos do submercado Sul
(clique sobre a figura para ampliá-la)

Os valores atuais de vazões e armazenamentos têm permitido PLDs abaixo de R$ 40/MWh desde meados de março último. Na primeira semana de agosto, por exemplo, os valores médios dos PLDs para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste fecharam, respectivamente, em R$ 17,40/MWh, R$ 15,49/MWh, R$ 17,50/MWh e R$ 17,50/MWh. Para fins de comparação, os respectivos PLDs na primeira semana de agosto do ano anterior haviam fechado em R$ 106,51/MWh, R$ 106,51/MWh, R$ 106,7/MWh e R$ 106,7/MWh, mais de 500% acima dos valores atuais.

O atual cenário de tranquilidade poderá ser alterado pela revisão das Curvas de Aversão ao Risco (CARs) das regiões Nordeste e Sudeste, solicitado pelo ONS [1] em função do atraso da entrada em operação de várias usinas termelétricas. A revisão, caso ocorra (a audiência pública na ANEEL foi suspensa) deverá aumentar o nível mínimo de armazenamento do reservatório de ambas as regiões. Caso tal nível seja atingido, as termelétricas disponíveis deverão ser despachadas fora da ordem de mérito, causando grande impacto no Encargo de Serviço do Sistema (ESS) e algum impacto no PLD.

[1] ONS. Revisão da Curva Bianual de Aversão ao Risco para as Regiões Nordeste e Sudeste - Biênio 2011/2012. Disponíveis em <http://bit.ly/qD221e> e <http://bit.ly/ofkyrA>.

segunda-feira, maio 23, 2011

Armazenamentos no início do período seco

Estamos no início do período seco, que se inicia em maio e vai até novembro. Nessa época as afluências aos reservatórios começam a diminuir e os armazenamentos dos reservatórios das hidrelétricas começam a se tornar mais importantes do que no período úmido. É interessante então verificarmos a situação atual dos reservatórios e tentarmos imaginar cenários para o fim do ano.

Os armazenamentos do submercado Sul, como mostra a figura abaixo, são sempre muito voláteis pois a capacidade de armazenamento do Sul é pequena comparada à do Sudeste e as vazões do Sul são também muito voláteis. Para fins de comparação, o armazenamento do Sul está no momento em 80,6% do máximo, nível inferior ao da mesma época de 2010 (95,4%), mas superior ao da mesma época de 2009 (36,7%) e de 2008 (69,2%).


Como ilustrado na figura a seguir, os armazenamentos do submercado Norte raramente são preocupantes, atingindo, nessa época do ano, níveis geralmente superiores a 95%. No momento, o armazenamento do Norte é 99,3% e deve permanecer nesses níveis até início de julho, quando começará a diminuir da maneira esperada.


A figura abaixo mostra os armazenamentos dos últimos cinco anos para o SE/CO. Embora o armazenamento de 2011 tenha iniciado o ano em uma situação ruim, estamos agora com o melhor nível dentre os últimos cinco anos, indicando que provavelmente será possível enfrentar o período seco com PLDs inferiores a R$ 150/MWh, encerrando o ano com armazenamentos da ordem de 50%. O decréscimo atípico do armazenamento a partir de maio de 2010 deveu-se à redução da produção de Itaipu no primeiro semestre, por restrições de transmissão, a qual teve de ser compensada pelas demais hidrelétricas, e não é esperado em 2011.


Finalmente, a figura a seguir ilustra os armazenamentos dos últimos cinco anos para o NE. Observa-se que em 2010 os armazenamentos atingiram níveis preocupantemente baixos e, de fato, no final de dezembro o armazenamento deste submercado esteve apenas 3,8% acima da Curva de Aversão ao Risco (CAR). A melhoria dos armazenamentos em 2011 deveu-se a uma melhoria das vazões, especialmente nos meses de janeiro, março e abril. 


A partir de junho as vazões do NE devem entrar nos níveis esperados para o período seco deste submercado, sem grandes altos e baixos e, descontando-se possíveis revisões da CAR por parte do ONS, o armazenamento do NE deve permanecer confortavelmente acima desta curva de armazenamento crítico.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Sobre as condições hidrológicas no início de 2011

Em decorrência das chuvas deste início de ano, as vazões afluentes aos reservatórios do submercado Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) atingiram, em 18 de janeiro, a elevada marca de 91.331 MW médios. Para fins de comparação, nos cinco anos recentes esse valor somente foi superado pela grande afluência registrada entre 9 de janeiro e 12 de fevereiro de 2007 e por um curto pico de dois dias no início de 2010.

Apesar do aspecto negativo do aumento das chuvas, que, como é do conhecimento de todos, causaram grande destruição em vários estados, os reservatórios das usinas hidrelétricas precisam delas, de modo a poder enfrentar o período seco, que se inicia em abril, em condições razoáveis de armazenamento. Nesse aspecto os armazenamentos do SE/CO já apresentam certa melhoria, como mostra o gráfico comparativo abaixo. Por exemplo, embora os reservatórios do SE/CO tenham começado 2011 em um nível inferior ao de 2009, a situação atual já é comparável à de 2009 para o mesmo período, apenas um mês depois.


A situação dos armazenamentos do submercado Norte também não é muito preocupante, conforme mostrado no gráfico abaixo. Considerando novamente os últimos cinco anos, o armazenamento atual só é inferior ao do mesmo período de 2010. Além disso, o histórico de armazenamentos do Norte mostra que, seja qual for o nível ao início do ano, o nível em meados do período seco será sempre próximo ao máximo.


Já a situação do submercado Nordeste (NE) é um pouco mais preocupante, conforme mostrado a seguir. Embora o armazenamento deste submercado esteja em níveis comparáveis aos de 2009, ano que viu os reservatórios do NE atingirem seu nível máximo, ainda é cedo para dizer se a tendência será esta ou se algo semelhante a 2010 ocorrerá, quando os reservatórios do NE não atingiram sequer 80%. Um ponto positivo é que as vazões deste submercado são no momento superiores às vazões do final de janeiro de 2010. Outro é que o fenômeno La Ninã, que produz aumento das chuvas no Nordeste (e estiagem no Sul), foi comprovado para 2011. Ainda assim, outras variáveis também devem ser levadas em conta antes que se possa apontar uma tendência.


Os armazenamentos para submercado Sul são mostrados no gráfico seguinte, que deixa clara a grande e conhecida volatilidade da hidrologia desta região. No momento o ONS está aproveitando o elevado armazenamento do Sul, superior a 80%, para enviar energia deste submercado para o SE/CO, economizando água dos reservatórios deste último.


Um ponto positivo para o Setor Elétrico em 2011 é a recuperação da geração de Itaipu. Em janeiro de 2010, por causa das restrições de transmissão decorrentes do desligamento de novembro de 2009, a geração média de Itaipu foi de apenas 13,6% do total nacional. Em janeiro de 2011 esta média subiu para 18,4%, valor próximo ao verificado para o mesmo mês de 2009. E, quando Itaipu gera mais, sobra mais água para os reservatórios das outras hidrelétricas, que poderão iniciar o período seco em melhores condições de armazenamento.

Finalmente, cabe a ressalva quase desnecessária de que condições hidrológicas favoráveis no início do ano não são garantia de que o atendimento ao sistema elétrico se dê sem incidentes durante o ano todo. Afinal, 2007 foi um ano que começou excepcionalmente bem em termos hidrológicos. E, no entanto, o início de 2008 foi caracterizado pela mais profunda crise de atendimento ao sistema desde 2001.