quinta-feira, setembro 06, 2007

VI SPMCH - Simpósio Brasileiro sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas

O VI Simpósio Brasileiro sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas (SPMCH) será realizado em Belo Horizonte, entre os dias 21 e 25 de abril de 2008.

O evento é organizado pelo Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB) e o temário proposto é o seguinte:

  • Tema 21 - Aspectos Políticos, Legais, Institucionais e Planejamento e Gestão.
  • Tema 22 - Aspectos Ambientais e Qualidade.
  • Tema 23 - Projeto, Construção e Montagem.
  • Tema 24 - Auscultação, Manutenção e Segurança.
  • Tema 25 - Operação, Recapacitação e Descomissionamento.

Os autores têm até 31 de outubro de 2007 para enviar os trabalhos, que devem ser elaborados de acordo com o modelo disponível em http://www.cbdb.org.br/texto/modelo_trabalhos.dot.

Demais instruções podem ser obtidas na página do evento: http://www.cbdb.org.br/destaques/familias.asp?codigo=47.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O ser humano é uma besta quadrada (*)

Da Rússia chegou-nos em fevereiro último mais uma notícia sobre o antigo debate entre religião e ciência. Uma adolescente de 16 anos, de nome Maria Schreiber, abriu uma ação judicial alegando que o livro-texto de biologia usado na escola que freqüenta é ofensivo aos crentes, e que os professores deveriam oferecer uma alternativa à teoria da evolução de Darwin. A corte russa rejeitou a ação, mas a estudante e seu pai afirmaram que iriam recorrer da sentença [1].

Esse é um daqueles casos em que não sabemos se devemos rir ou chorar. O único ponto positivo é que o fato ocorreu na Rússia, não no Brasil, e não iremos nos tornar, ao menos dessa vez, objeto de chacota internacional.

Não tenho certeza que parte da teoria da evolução os crentes entendem como ofensiva, mas imagino que seja aquela que afirma que o homem e os macacos atuais compartilham de um ancestral comum, o qual começou a se diversificar há 40 milhões de anos. Esse fato é geralmente expresso pela frase “o homem descende do macaco”, com a ressalva obrigatória de que se trata de um macaco primitivo, não de um macaco atual. Homens, gorilas, chimpanzés, orangotangos, etc., são, portanto, primos genéticos.

A afirmação de que o homem evoluiu de um ancestral primitivo não me ofende em nada, embora eu não tenha certeza sobre o que os chimpanzés pensam dela. Particularmente, tive a sorte de ser muito jovem da primeira vez em que ouvi meu pai, sempre muito esclarecido, dizer que “o homem veio do macaco”. Tão jovem e ingênuo que me lembro de ter pedido a que ele que me mostrasse uma fotografia da época em que ele era macaco... Aos cinco ou seis anos, eu já era um cético.

Infelizmente, o termo “evolução”, em seu sentido biológico, não significa “melhoramento”, mas apenas “modificação”. Não somos melhores do que chimpanzés, gorilas e orangotangos, mas apenas diferentes deles. Somos mais pelados, mais cabeçudos e temos uma cultura mais refinada, mas não somos melhores do que nossos parentes peludos. Talvez sejamos mais inteligentes, mas apenas no sentido muito humano que atribuímos ao conceito de inteligência. Mas não somos mais éticos, não somos mais divinos, não somos mais santos. Não existe melhor prova disso do que as notícias que nos chegam o tempo todo da África, lar de três das quatro espécies de grandes símios.

O gorila da montanha é provavelmente a subespécie mais conhecida desse magnífico animal. Um gorila macho típico pode pesar 180 kg e atingir até 1,7 m, quando totalmente ereto. A força muscular de um gorila é tão superior à humana que, se você for atacado por um deles, o melhor conselho é fechar os olhos e torcer para que tudo acabe rapidamente. Contudo, a não ser que você se comporte de maneira muito tola, isso dificilmente acontecerá. Os gorilas são pacíficos e vegetarianos e, apesar da força descomunal e dos caninos pronunciados, mesmo os grandes machos dominantes preferem resolver as disputas por meio da intimidação e da demonstração de força, não por meio de lutas mortais [2]. Os únicos inimigos dos gorilas são os homens e os leopardos. Mas, mesmo dos leopardos, eles têm pouco a temer.

Em agosto deste ano, seis meses depois da russa Maria Shreiber ter manifestado sua indignação acerca de seus ancestrais biológicos, nove gorilas da montanha foram covardemente assassinados no Parque Virunga, no Congo. De acordo com a reportagem da revista Veja [3], o massacre teria sido organizado por ordem de madeireiros locais, os quais não conseguiram entrar na reserva para derrubar árvores.

Os mais radicais dentre os defensores dos direitos humanos certamente dirão que as condições de vida dos camponeses africanos não são muito melhores do que as dos gorilas, e que os humanos africanos só conseguem sobreviver à custa da exploração do mercado negro de animais selvagens. Talvez. Todavia, existem mais de 60 milhões de seres humanos no Congo, mas menos de 400 gorilas da montanha. Dentro de 30 anos não haverá mais gorilas andando pelas montanhas, mas os seres humanos continuarão numerosos e famintos.

Talvez seja apenas azar dos gorilas, bem como de tantos outros animais, terem co-evoluído com a espécie mais beligerante que já habitou o planeta. Mas o azar é nosso também. Afinal, talvez alguns se lembrem do massacre em Ruanda, que faz fronteira com o Congo, no qual um milhão de humanos foram mortos em 1994, sem que país algum protestasse. Se não conseguimos evitar nem mesmo o massacre de seres humanos, que esperança haverá para os gorilas da montanha?

Assim, Maria Schreiber não deveria se ofender por descender de símios primitivos ou por ser prima de gorilas e orangotangos e prima-irmã de chimpanzés. Nenhum desses animais, por selvagem que seja, pratica o genocídio.

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(*) Frase freqüentemente citada pelo professor Newton da Costa, matemático e lógico brasileiro, reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em lógica paraconsistente, área do conhecimento que ele ajudou a criar. Detalhes adicionais em
< http://www.cle.unicamp.br/arquivoshistoricos/newtondacosta_biografia.html>.

[1] ESTADÃO. Justiça russa se recusa a proibir ensino da evolução. 21 fev 2007. Disponível: <http://estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/fev/21/252.htm>.

[2] Berggorilla & Regenwald Direkthilfe. Acesso em: 05 set. 2007. Disponível em: <http://www.berggorilla.org/english/frame.html>.

[3] Veja. E ainda nos julgamos superiores. 02 set. 2007. Acesso em: 05 set. 2007. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/290807/p_126.shtml >.

terça-feira, setembro 04, 2007

UTFPR, campus Ponta Grossa, lança programa de mestrado profissional

A CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, aprovou, no último dia 27 de julho, a criação do segundo programa de mestrado do campus Ponta Grossa da UTFPR, Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A novidade é que agora se trata de um curso de mestrado profissional, que difere do tradicional mestrado acadêmico em vários aspectos.

Os cursos de mestrado profissional começaram a aparecer no Brasil em 1998, quando foram criados pela CAPES [1]. Atualmente, existem 229 desses cursos no Brasil, mas apenas 9 no Paraná [2].

Nos Estados Unidos e em outros países, os mestrados profissionais já existem há tempos. Por exemplo, enquanto o MSc (Master of Sciences) corresponde ao nosso mestrado acadêmico, existem também o MA (Master of Arts), o MEng (Master of Engineering), o MBA (Master of Business Administration) e vários outros. A duração típica desses cursos é de dois anos, com a segunda metade do curso dedicada à preparação de uma dissertação. Alguns deles exigem dedicação exclusiva, outros não.

No Brasil, muitos mestrados profissionais têm a carga horária concentrada em horários que podem ser freqüentados por alunos que não conseguem dispensa das empresas onde trabalham. Nesse aspecto, tais cursos são semelhantes a muitos cursos de pós-graduação lato sensu. A vantagem é que os mestrados profissionais são strictu sensu, conferem o grau de mestre (e não de especialista) e, ao contrário dos cursos lato sensu (o que inclui os nossos famosos MBA Executivos), são avaliados pela CAPES.

O programa de mestrado da UTFPR/Ponta Grossa deve ter início no primeiro semestre de 2008. A área de concentração é Ciência, Tecnologia e Ensino, em duas linhas: (a) construção do conhecimento e linguagem no ensino de ciência e tecnologia; (b) ciência e tecnologia no contexto do ensino-aprendizagem. As inscrições devem ter início em janeiro próximo, mas os horários das aulas ainda não estão definidos. Mais detalhes deverão estar brevemente disponíveis em [3].

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[1] UNIVERSIA. Conhecendo o mestrado profissional. 29 out. 2004. Disponível em: <http://www.universia.com.br/html/materia/materia_ffgf.html>.
[2] CAPES. Perfil da pós-graduação. 03 set. 2007. Disponível em: <http://servicos.capes.gov.br/projetorelacaocursos/jsp/regiaoDet.jsp>.
[3] UTFPR – campus Ponta Grossa. Disponível em: < http://www.pg.cefetpr.br/>.

A arte de fazer perguntas

Sempre me preocupa a seção de perguntas que se segue a uma palestra de um escritor ou cientista. Pelo conteúdo delas, fico com a impressão de que as pessoas não entenderam muito bem a palestra, o que é sempre muito frustrante para o palestrante, ou que o conteúdo foi espremido por tantos filtros cognitivos que o que sobrou tem apenas uma vaga semelhança com o que o palestrante tentou transmitir.

Por exemplo, ao final de uma palestra para promover seu livro “The God Delusion”, Richard Dawkins abriu a seção de perguntas, as quais poderiam ser feitas de forma oral ou escrita. Um aluno muito hesitante, embora corajoso, contribuiu com aquilo que deve ser um dos melhores exemplos de como não se fazer uma pergunta a um palestrante. A primeira parte da primeira pergunta durou cerca de 15 segundos e foi respondida por Dawkins com um singelo “não”. A segunda parte durou cerca de 47 segundos e foi interrompida por um Dawkins um tanto impaciente. Não satisfeito, o aluno fez ainda uma segunda pergunta que durou inacreditáveis 55 segundos. Para quem não acredita, o vídeo está disponível em http://www.youtube.com/watch?v=cSbDUCCjrE4.

Objetividade é uma dádiva, mas pode ser cultivada. O aluno que inquiriu Dawkins talvez aprenda isso com o tempo, mas, sendo ele um aluno da Liberty University, instituição fundamentalista criada pelos batistas, não há razão para muita esperança. Em vez de fazer uma pergunta curta, explorando o conteúdo da palestra, ele tentou expor uma complicada teoria sobre filosofia da ciência, pedindo a opinião de Dawkins e tentando roubar o show.

Depois de alguns anos de sala de aula, alguma experiência como palestrante e ainda alguma experiência como “perguntador”, minha opinião é que existem apenas três mandamentos para se fazer uma pergunta bem feita a um palestrante (perguntas em aulas convencionais são diferentes, pois o professor dispõe de mais tempo).

O primeiro mandamento ao se fazer perguntas a palestrantes é lembrar que você não está lá para dar o show, mas apenas para ajudar o palestrante a dar o show dele. Assim, é de bom tom não fazer da sua pergunta uma pequena palestra, tentando ensinar algo ao palestrante. Se você não conseguir resistir à tentação, prefira falar com o palestrante em particular ou então escreva para ele posteriormente.

O segundo mandamento é fazer a pergunta da maneira mais simples possível, envolvendo poucas palavras e um único conceito. Escrever a pergunta previamente é uma boa idéia. Tentar reduzí-la de maneira a conter menos de 100 palavras é uma idéia melhor ainda. Dessa forma, você não cairá na tentação de incluir dezenas de sub-perguntas dentro de uma mesma pergunta, o que sempre causa confusão e bocejos.

Finalmente, o terceiro mandamento é planejar aquilo que você vai perguntar. Pesquisar previamente sobre o assunto da palestra é uma boa idéia. Pesquisar sobre o palestrante é uma questão de elegância e uma idéia melhor ainda.

É claro que sua intenção pode não ser ajudar o palestrante, mas apenas importuná-lo. Contudo, mesmo para importunar alguém é necessário pesquisa e planejamento, de modo que os dois últimos mandamentos continuam válidos. Lembre-se disso se Dawkins aparecer por aqui, pois “The God Delusion” acaba de ser traduzido para o português [1].

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[1] DAWKINS, Richard. "Deus, um delírio". Companhia das Letras, 2007, 528 pag.

sábado, setembro 01, 2007

XI SEPOPE – Extensão do prazo para envio de resumos

Atendendo a inúmeros pedidos, o Comitê Técnico do XI SEPOPE informa que decidiu estender o prazo para envio dos resumos de trabalhos. A nova data passa a ser 24 de setembro de 2007.

O XI SEPOPE, Simpósio Brasileiro de Especialistas em Planejamento da Operação e Expansão Elétrica, será realizado em maio de 2008, em Belém do Pará. Os resumos devem ter entre 500 e 1.000 palavras e podem ser enviados para o endereço abs-xispope@cepel.br. A formatação é livre e é possível incluir figuras.

O arquivo com a chamada de trabalhos e lista de temas preferenciais pode ser baixado em http://www.electra.sunhost.com.br/alvaug/Chamada_Trabalhos_XI_Sepope.pdf .