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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O ocaso de um ditador

A natureza é por vezes cruel. Vejam o caso dos leões, por exemplo. Animais fantásticos, soberanos, sem predadores naturais além do homem, donos de uma ferocidade que, dentre os felinos, perde somente para a dos tigres.

Contudo, ao contrário dos tigres e da maioria dos felinos, os leões são sociáveis e vivem em bandos de cinco a quarenta indivíduos. As fêmeas são responsáveis pela caça, enquanto os machos são responsáveis pela defesa do território e do bando. Os bandos pequenos são controlados por apenas um macho, mas os bandos maiores podem ser controlados por coalizões temporárias de machos, geralmente irmãos. Com exceção de doenças e dos problemas trazidos pelo homem, a origem de todos os outros problemas dos leões reside na vida em bando.

Quando um leãozinho macho atinge a maturidade, o que ocorre por volta dos dois ou três anos de idade, o líder o expulsa do bando, de modo a evitar competição. Alguns desses leões se tornam nômades por toda a vida, passando a vagar pelas savanas, solitários, de vez em quando formando par com outro nômade, o qual geralmente é um irmão expulso do mesmo bando. Todavia, outros desses leões tentam encontrar um novo bando, expulsando ou matando o líder atual e assumindo o controle. Quando um leão mais jovem assume um bando, ele mata todos os filhotes do macho anterior, como maneira de evitar que material genético alheio se propague. Vida dura essa, a dos leões.

A morte de um leão em batalha, apesar da derrota, é a morte de um guerreiro. Pouquíssimos leões, talvez mais afortunados, reinam soberanamente por anos a fio, sozinhos ou em coalizões. Esses leões conseguem defender o bando contra todas as ameaças de invasão, conseguem sobreviver a todas as tentativas de assassinato, mas, no fim, envelhecem, adoecem, perdem parte dos dentes e têm de deixar o bando por mera falta de condições físicas, antes que um macho mais jovem o mate ou o expulse. Um leão desses vive seus últimos dias em solidão, alimentando-se de pequenos roedores, pássaros, peixes, ovos e répteis, deixando suas últimas pegadas na poeira das savanas e, talvez, relembrando melancolicamente o passado de glórias.

Obviamente, o comportamento ditatorial dos leões é quase totalmente instintivo e eles não podem decidir agir de maneira diferente. Mas, se eles não têm esse poder de escolha, nós temos, ao menos em parte. É aí que reside a diferença entre homens e leões.

terça-feira, junho 26, 2007

Hugo Chávez cria fábricas socialistas

Na última edição de seu programa semanal “Alô Presidente”, Hugo Chávez anunciou, para espanto do mundo, o plano Fábrica Socialista 2007. Serão construídas 200 empresas estatais na Venezuela, que produzirão vários tipos de bens e serviços: alimentos, materiais de construção, vidro, plásticos, produtos de borracha, transporte e reciclagem. Vê-se logo que o tão divulgado “socialismo do século XXI” não passa de uma grande volta ao passado, uma grande tentativa de fazer certo aquilo que a URSS supostamente fez errado.

Todavia, uma das lições que o século XX nos ensinou é que o socialismo pode ser uma ótima idéia, mas infelizmente só funciona para as abelhas, formigas e outros insetos sociais. No mundo dos seres humanos, nenhuma empresa estatal é capaz de produzir bens e serviços com a mesma eficiência de uma empresa privada, pois a preocupação com o lucro, que os socialistas abominam, não existe. E, não existindo preocupação com o lucro, não existe preocupação com redução de custos. E, não havendo preocupação com redução de custos, não há aumento da produtividade. E, não havendo aumento da produtividade, nenhuma empresa pode competir e crescer, cabendo-lhe apenas a decadência.

A URSS e outros países socialistas fizeram mais do que era humanamente possível para que o sistema de produção estatal funcionasse. Não conseguiram. Simplesmente não dá certo. No início da URSS, tudo parecia lubrificado à perfeição e planejado rumo à utopia final, mas era apenas uma ilusão causada pelas realocações em massa e pela conversão de camponeses em trabalhadores fabris. Passado esse efeito transitório, o caráter perverso do sistema se manifestou: quando o espírito empreendedor é abolido, não se pode mais esperar que uma pessoa que detém um cargo executivo aceite assumir algo mais do que um risco moderado. Todos os gerentes se transformaram então em burocratas. A literatura sobre isso é farta e extensa. Pena que Chávez não a leu.

Não é preciso ter um PhD em economia para saber o que acontecerá com as empresas da Venezuela: quebrarão. Antes disso, porém, consumirão fabulosos recursos estatais, subsidiados pelo petróleo e pelos resignados e valorosos contribuintes venezuelanos. Antes disso, a Venezuela embarcará naquele sonho requentado de que um planejador central localizado em Caracas conseguirá decidir, de maneira melhor e mais eficiente do que o mercado livre, quantos sapatos cada fábrica do país deverá produzir, e que tipo, cor e modelo de sapato cada venezuelano gostará de usar. Muitos anos se passarão e a Venezuela por fim quebrará. Só espero que nós brasileiros não tenhamos de pagar a conta!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Hugo Chávez e a Alca

"Alca, Alca, Alca. Al carajo!"

A frase acima foi dita por Hugo Chávez durante a Cúpula das Américas. Ele não estava entre amigos íntimos nem em uma festa particular. Tudo indica também que ele não estava em elevado estado de embriaguez. A frase foi dita em um discurso público a manifestantes contrários à presença de Bush, à Alca e a tudo que não seja tipicamente latino-americano.

Um chefe de estado, mesmo que trapalhão, deve manter um mínimo de compostura. A palavra empregada por Chávez ofende a todos e o expõe ao ridículo: como não tem argumentos além de seu ultranacionalismo fanático, ele só tem a dizer "up yours, Bush!"

Se a intenção de Chávez é evitar que a Venezuela seja invadida, essa não é a melhor maneira. Basta lembrar que Bush filho mandou triturar Bagdá somente para prender o homem que havia tentado matar papai Bush...