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sexta-feira, abril 20, 2012

PLD da quarta semana de abril


A CCEE demorou para publicar o PLD da quarta semana de abril. Longe vão-se os tempos em que a publicação era feita logo após as 13h da sexta-feira! Apesar da elevação esperada por muitos agentes,  os PLDs semanais médios do SE/CO e do Sul sofreram reduções de 5,2% e 9,2%, respectivamente. Já os PLDs do Norte e do Nordeste se elevaram em 5,9%. Em consequência, os PLDs semanais médios de todos os submercados fecharam em R$ 191,60/MWh. Mais detalhes em http://bit.ly/bPskTA.

Supondo que os PLDs da quinta semana repitam os valores da quarta semana, os PLDs mensais médios de abril ficarão em R$ 192,95/MWh e R$ 195,99/MW para o SE/CO e Sul, respectivamente, e R$ 183,40/MWh para o Norte e Nordeste. Por outro lado, supondo que os PLDs da quinta semana se elevem 20% sobre os PLDs da quarta semana, os PLDs mensais médios de abril ficarão em R$ 196,78/MWh e R$ 199,82/MWh para o SE/CO e Sul, respectivamente, e R$ 187,23/MWh para o Norte e Nordeste. Interessante quando lembramos que o PLD de fevereiro ficou em R$ 50,67/MWh para o SE/CO e Sul e R$ 12,57/MWh para o Norte e Nordeste.


terça-feira, outubro 25, 2011

Ampliação do Livre Mercado de Energia

Um dos aspectos mais curiosos do livre mercado de energia brasileiro, oficialmente conhecido como Ambiente de Contratação Livre (ACL), é que nem todos os consumidores são qualificados para se tornarem livres. Consumidores conectados antes de 8/7/1995 podem se tornar livres, desde que tenham demanda instalada igual ou superior a 3 MW e tensão de conexão igual ou superior a 69 kV. Se tiverem sido conectados após 8/7/1995, o único requisito passa a ser a demanda igual ou superior a 3 MW. Estes consumidores são livres para contratar qualquer tipo de energia, seja ela proveniente de usinas de grande porte (com capacidade instalada acima de 30 MW, denominada energia convencional) ou de usinas de pequeno porte (capacidade instalada abaixo de 30 MW, denominada energia especial). Caso o consumidor tenha demanda instalada igual ou superior a 500 kW, conectado em qualquer tensão, a migração somente pode ser feita como consumidor especial, com energia contratada junto a fontes incentivadas (PCHs, usinas de biomassa, eólicas ou solares, todas com capacidade instalada igual ou inferior a 30 MW). As fontes incentivadas têm direito a um desconto mínimo de 50% sobre a parcela "fio" da TUSD, repassando tal direito aos consumidores por elas atendidos.

Os consumidores livres e produtores independentes de energia foram criados em 8/7/1995, por meio da Lei 9.074/95. Depois disso as únicas mudanças nos critérios de elegibilidade para migração ao mercado livre ocorreram em 8/7/2000, quando o requisito de demanda, anteriormente fixado em 10 MW, foi reduzido para 3 MW, e em 26/2/2002, quando os consumidores especiais foram criados [1]. Para fins de comparação, em vários países que instituíram seus mercados livres, inclusive países da América Latina, os limites de migração são atualmente inferiores aos brasileiros, mesmo considerando-se os consumidores especiais. Alguns exemplos são: Argentina (30 kW); Colômbia, Guatemala, Paraguai (100 kW); Uruguai (250 kW).

Um dos motivos da paralisação na evolução dos critérios de elegibilidade para o mercado livre foi a eleição de um novo governo federal em 2003, com visão comercial diferente daquela do governo que criou o mercado livre. O modelo anterior do Setor Elétrico, implantado a partir de 1998, havia enfrentado dificuldades para entrar em funcionamento e recebeu, incorretamente, parte da culpa pela crise energética de 2001/2002. Na ânsia por evitar novas crises, o novo governo reestruturou o antigo Mercado Atacadista de Energia (MAE), criando o ACL e o ACR (Ambiente de Contratação Regulada) e as novas regras de contratação de energia. Passados tantos anos, entretanto, o mercado livre já provou sua grande força e muitos agentes acreditam estar na hora de estudar mudanças nos critérios de elegibilidade. Além disso, todos os consumidores de grande porte que poderiam migrar já o fizeram, o que significa que o mercado de energia convencional encontra-se estagnado há algum tempo.

Uma mudança poderá advir com a aprovação de duas emendas à Medida Provisória 540, cujo relator é o deputado Renato Molling (PP-RS). A primeira emenda diz respeito à venda de excedentes pelos consumidores livres, enquanto a segunda determina datas para a ampliação do mercado livre. A partir de 1° de janeiro de 2012 todos os consumidores com demanda igual ou superior a 3 MW, conectados em qualquer tensão, estariam qualificados a migrar para o ACL. Em 1º de janeiro de 2014 o limite seria reduzido para 2 MW [2].

O pleito para ampliação do limite de elegibilidade do mercado livre é antigo. Por exemplo, o Projeto de Lei 402/2009, cujo relator é o senador Delcídio Amaral (PT-MT), estabelece uma flexibilização progressiva, até chegar-se a 1 MW, e elimina o limite mínimo de tensão. Tal projeto ainda se encontra na relatoria e não foi tomada uma decisão sobre ele.

Um problema que surgirá com um novo critério de elegibilidade será o impacto no mercado de energia incentivada. De fato, consumidores com demanda acima de 500 kW já podem se tornar livres, desde que supridos por fontes incentivadas. Com a mudança, consumidores com demanda acima de 1 MW (supondo o pleito do PL 402) poderão contratar energia convencional, mais abundante do que a incentivada. Contudo, um estudo da Andrade&Canellas, contratado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), concluiu que não haverá competição entre fontes convencionais e incentivadas em 88% da nova faixa aberta aos consumidores livres (1 MW a 3 MW, novamente supondo o pleito do PL 402), por causa do desconto na TUSD obtido quando a energia contratada é incentivada. Para amenizar ainda mais o impacto, outra medida que vem sendo defendida pela Abraceel é a redução do limite de elegibilidade dos consumidores especiais para 300 kW.

Sejam quais forem as mudanças que o mercado livre possa sofrer em um futuro próximo, estas dirão respeito somente ao Grupo A (Alta Tensão), que inclui, grosso modo, os consumidores com demanda acima de 300 kW. O Grupo B, dos consumidores de Baixa Tensão, que inclui os consumidores residenciais, deverá continuar por um bom tempo sendo atendido pelo ACR, monopólio das distribuidoras de energia. Esperemos que um dia os consumidores residenciais possam também migrar para o mercado livre, vindo a obter menores preços e maiores flexibilidades contratuais.

[1] FLOREZI, Guilherme. Consumidores livres de energia elétrica: uma visão prática, 2009, Dissertação de Mestrado, USP. Disponível em: http://bit.ly/ouASiX.
[2] JORNAL DA ENERGIA. MP 540 traz mecanismos para ampliar o mercado livre de energia, 13 de out. 2011. Disponível em: http://bit.ly/pGFdI1.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Observações sobre os resultados do leilão A-3/2011 do ACR

O leilão de energia A-3, inicialmente previsto para julho, foi realizado no último 17 de agosto. Para realização do leilão a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) precisa analisar todos os projetos inscritos e os editais devem ser publicados com antecedência mínima de 30 dias. O atraso foi assim causado pela grande quantidade de projetos de geração inscritos (321), representando 14.083 MW de potência instalada habilitada, conforme a Tabela 1.

Os leilões A-3 e A-5 são realizados no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e destinam-se ao suprimento de energia a consumidores cativos, por meio da contratação de fontes de energia com horizontes de entrega (início da operação) de três e cinco anos, respectivamente. Os contratos do ACR não são formalizados diretamente entre vendedores e consumidores, como acontece no ACL, mas sim entre vendedores (comercializadores, geradores, produtores independentes ou autoprodutores) e distribuidoras, que suprem os consumidores cativos por meio de tarifas reguladas pela ANEEL. Além dos leilões A-3 e A-5 (energia nova), há também leilões A-1 (energia existente), de reserva e de ajuste, cujos objetivos são aumentar a segurança energética do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Uma característica marcante do leilão A-3 recente foi a presença das usinas eólicas: 44 projetos contratados, somando 1.068 MW de potência instalada e garantia física ("energia assegurada") de 484 MW médios, a um preço médio de R$ 99,58/MWh. Nos leilões realizados em 2010, para fins de comparação, o preço médio das usinas eólicas havia ficado em R$ 133/MWh. Em julho, pouco antes do leilão, o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) falava em preços de R$ 110/MWh [2]. Uma explicação aventada para a queda dos preços foi a redução da demanda por turbinas eólicas na Europa, o que teria causado acúmulo de equipamentos disponíveis para o Brasil e outros países. Alguns geradores falam que o setor está em uma fase de otimização de custos, enquanto fabricantes como a Wobben revelaram-se preocupados com a euforia causada por "preços irreais". Contudo, vale observar que 196 dentre os 240 projetos eólicos habilitados ao leilão, com maiores custos de geração e certamente menores fatores de capacidade, foram deixados de fora, talvez esperando uma valorização futura.

TABELA 1 - Resultado final do leilão A-3/2011
Fonte
Projetos
habilitados
Potência
instalada
habilitada
(MW)
Projetos
contratados
Potência
instalada
contratada (MW)
Preço médio
(R$/MWh)
Eólica
240
6.052
44
1.068
99,58
Gás Natural
10
4.388
2
1.029
103,26
Hidro (Jirau)
1
450
1
450
102,00
Biomassa
43
2.750
4
198
102,41
PCHs
27
443
0
0
TOTAL
321
14.083
51
2.745
102,07
FONTE: [1]

Um problema que todo participante de leilões de energia nova do ACR deve resolver é projetar o futuro com base em informações reduzidas sobre o presente. No presente caso, os geradores eólicos definiram ser viável fornecer energia durante 20 anos a preços próximos a R$ 100/MWh, bem como conseguir entrar em operação dentro de três anos. Caso algum atraso aconteça, a energia contratada deverá ser buscada no Mercado Livre (ACL), cujos preços se baseiam no PLD, sempre volátil e sujeito a surpresas. Para fins de comparação, as usinas contratadas no leilão A-3 de setembro de 2008 deveriam ter entrado em operação no início de janeiro de 2011. Contudo, somente 96 MW médios foram disponibilizados ao ACR no prazo. Os demais 980 MW médios, oriundos de usinas a gás natural e óleo combustível tinham, em janeiro, a previsão de atrasar a entrada em operação entre 6 e 23 meses, expondo-se ao ACL e causando distorções nos preços deste mercado [3]. Situação semelhante pode vir a ocorrer com as eólicas recentemente contratadas ou, ainda pior, estas podem se revelar inviáveis no futuro, quando a conjuntura mudar, mas não a estrutura já contratada. Sendo assim, talvez já esteja na hora de os geradores eólicos começarem a pensar no ACL, com sua estrutura de contratação mais flexível e possibilidade de obtenção de preços mais em conta.

[1] EPE, Informe à imprensa - Leilão de energia A-3/2011, 17 de agosto de 2011, http://bit.ly/ouoeWP  
[2] BRASELCO NOTÍCIAS, Abeeólica vê preço em queda, e diz que especialistas já falam em parques por R$110/MWh no leilão, 11 de julho de 2011, http://bit.ly/nMpPI9
[3] ABRACEEL NOTÍCIAS, Atraso em usinas do leilão A-3 de 2008 poderá causar impacto de 980 MW médios no mercado, http://bit.ly/qDBZ09