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sexta-feira, janeiro 02, 2009

E, após várias primaveras, morre o trema

Desde ontem o trema não existe mais, ao menos na língua portuguesa. Alemães, holandeses, suecos e outros povos continuarão usando esse sinal gráfico sem o menor pudor. Mas, se os alemães são conservadores em relação ao trema, em outros aspectos não fomos tão corajosos quanto eles, pois essa reforma ortográfica, que acabou com o trema, não conseguiu acabar com o hífen (os alemães "grudam" palavras sem o menor problema). Também fico satisfeito com o fim de acentos gráficos em palavras como "bóia" (agora "boia") e "idéia" (agora "ideia"), mas a "matança", por assim dizer, foi incompleta.

Alguns gramáticos justificam a reforma alegando que o português é (ou era) um caso raro de língua grafada de maneira não uniforme entre os vários povos falantes. O espanhol, por exemplo, á falado com vários sotaques no mundo inteiro, mas mantém a mesma grafia em todos os lugares. Por outro lado, o inglês, uma das línguas mais faladas no mundo, também sofre dessa falta de uniformidade na grafia. Por exemplo, norte-americanos escrevem "center" e "theater", enquanto britânicos escrevem "centre" e "theatre", e ninguém pensa em mudar isso.

Outros gramáticos, contudo, posicionam-se contra a reforma, alegando que os falantes de outras línguas, como o francês, não se importam em grafar várias palavras de maneira quase medieval. De todo modo, a reforma é lei, está aí para ficar e o único jeito é nos adaptarmos a ela. Os editores de dicionários agradecem. Da minha parte, já começo minha campanha para a reforma ortográfica de 2049: abaixo o hífen!