Mostrando postagens com marcador copa do mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador copa do mundo. Mostrar todas as postagens

domingo, julho 11, 2010

Coisas que aprendi com a Copa de 2010

  1. Nem o Brasil nem país algum se tornaria melhor ou pior com a conquista da copa, mas os jogos são uma excelente desculpa para matar trabalho.
  2. A profissão mais fácil do mundo é a de comentarista de futebol: se você acertar, é um gênio, se errar, não havia mesmo como acertar.
  3. Não importa se o time ganhou ou perdeu, os comentaristas sempre encontrarão uma explicação ex-post adequada.
  4. Apesar disso, a profissão de comentarista de futebol é tão desimportante que até um polvo pode exercê-la.
  5. O som das vuvuzelas é frequentemente mais agradável do que a voz dos narradores e comentaristas.
  6. De vez em quando futebol é como sexo tântrico: mais de 90 minutos e nada acontece!
  7. Se você se tornar comentarista e não souber o que dizer, basta inserir frases como "valorizar o toque de bola", "estão sem ritmo de jogo" e "faltou calma na conclusão".
  8. Aquilo que acontece nas arquibancadas é sempre mais interessante do que aquilo que acontece em campo.
  9. Eu também tenho uma previsão para os jogos de 2014, mas só se me derem um lanchinho antes.
  10. Continuo sem entender como um jogo que acaba empatado pode atrair tanta atenção!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Copa de 2014: o atestado definitivo de um país incapaz de se levar a sério

Tenho dificuldades em acreditar que um país pobre, deficiente em infra-estrutura, monumentalmente desigual, à beira do colapso energético, assolado pela violência urbana, vivendo uma crise mal resolvida no setor aéreo e onde nem mesmo o leite presta, irá gastar vários bilhões de reais para organizar um campeonato esportivo que será encerrado, como de praxe, com uma disputa entre batedores de pênaltis.

O orçamento para a Copa de 2014 ainda não é conhecido, mas, de acordo com Joelmir Betting [1], que cita pesquisa da Revista Máquina do Esporte, o custo total poderá chegar a R$ 18 bilhões, a maior parte advinda do setor público. Valerá a pena? Talvez sim, mas o risco é enorme.

De acordo com o banco holandês ABN AMRO [2], os dados históricos indicam que o vencedor de uma Copa do Mundo experimenta um ganho médio adicional de 0,7% do PIB em relação ao ano anterior. Por outro lado, o segundo colocado experimenta uma perda média de 0,3% do PIB em relação ao ano anterior.

Supondo um crescimento médio de 5% durante os próximos sete anos (estimativa otimista), chegaremos em 2014 com um PIB de R$ 2,974 bilhões. Logo, se ganharmos o campeonato, o crescimento adicional de 0,7% corresponderá a R$ 20,8 bilhões, o que dará para pagar as contas, com alguma sobra.

O problema é se perdermos! Em outras palavras, estamos colocando um investimento bilionário nas mãos (ou nos pés!) de um reduzido número de jogadores, os quais são historicamente incapazes de suportar a pressão psicológica e nem mesmo moram no Brasil. E, no caso de mais uma final decidida por pênaltis, que tenha o Brasil como finalista, o destino do investimento será decidido por uma mera loteria.

Apesar de tudo, cabe lembrar que o crescimento adicional de 0,7% apontado pelo ABN AMRO indepente do país sediar a copa. Assim, não seria melhor, embora um pouco oportunista, deixarmos que outro país pagasse as contas, tentarmos ganhar a copa assim mesmo e investirmos o dinheiro em outras áreas? Vale a pena arriscar tanto dinheiro somente para nos desforrarmos da humilhação de 1950?

É claro que, mesmo que não se vença o campeonato, há alguns benefícios em um país sediar uma Copa do Mundo, tais como melhorias nos sistemas de transporte e de telecomunicações, reformas urbanas, melhorias no setor de hotelaria, etc. Todavia, tais melhorias e reformas poderiam, e deveriam, ser feitas a despeito da Copa do Mundo, não por causa dela. Ou será que, depois de 2014, teremos que esperar outros 64 anos para que alguém perceba que investimentos em infra-estrutura são importantes?

Se o Brasil fosse um país capaz de estabelecer suas prioridades de maneira racional, deveríamos investir todos esses bilhões de reais nos verdadeiros fatores de crescimento econômico, como saúde, educação, ciência e tecnologia. Para crescer, precisamos de inovação, não de pão, circo e futebol.

[1] BETTING, Joelmir. Secos & Molhados, 23 out. 2007. Disponível em: <http://www.joelmirbeting.com.br/noticias1.asp?IDgNews=3>. Acesso em: 02 nov. 2007.

[2] ABN AMRO. Soccereconomics 2006, mar. 2006. Disponível em: <http://www.abnamro.com/pressroom/releases/media/pdf/abnamro_soccernomics_2006_en.pdf>. Acesso em: 02 nov. 2007.

domingo, julho 09, 2006

Acabou o campeonato mundial de cobradores de pênaltis!

De quatro em quatro anos, uma cambada de moleques milionários se reúne para organizar algumas peladas, onde fingem jogar algum tipo de jogo, cujo objetivo é roubar uma bola de alguns moleques e depositá-la atrás de uma linha defendida por outro moleque, geralmente o mais alto de todos ou o mais perna-de-pau.

Um observador atento perceberá que o real objetivo dessa brincadeira de milionários excêntricos é decidir quem consegue marcar a maior quantidade de pênaltis na disputa final. A pelada que antecede os pênaltis serve apenas para ver quem consegue dar o maior número de cabeçadas, cotoveladas e caneladas sem que o juiz veja. Além disso, seria difícil convencer alguém a assistir somente a disputa final, que seria muito curta, reduziria o interesse dos canais de televisão, prejudicaria as quotas de patrocínio, etc.

A maior prova de que nossa raça de macacos cabeçudos está condenada à extinção é o fato de que milhares de trouxas, denominados "torcedores", vindos de vários lugares do mundo, economizam durante anos, vendendo casas, terrenos e carros, com o único objetivo de assistir a esse "campeonato mundial de cobradores de pênaltis".

Para nossa felicidade, independente de quem ganhou dessa vez, agora podemos voltar a nossos afazeres diários e tentar mostrar que resta alguma dignidade à raça humana.

Roberto Carlos: marcar Henry não estava na descrição do cargo!

Todos que assistiram aquele patético Brasil x França viram que Roberto Carlos estava pateticamente abaixado enquando Henry fazia aquele patético gol, originado de uma falta patética cobrada por Zidane, que agora se despediu pateticamente da Copa, de Berlim e de sua carreira.

Agora, em entrevista ao Fantástico, Roberto Carlos vem nos dizer que "não tinha nada que fazer" na posição onde Henry estava. Não era a função desse lateral, mundialmente famoso por suas crises de disenteria verbal.

Se Roberto Carlos estava ou não ajeitando sua meia, é coisa totalmente irrelevante. O que importa, segundo ele, é que marcar Henry simplesmente não fazia parte da descrição de seu cargo, pois ele havia sido escalado para jogar como lateral, não como zagueiro.

A situação é conhecida. Conta-se que, ao perceber que o barco estava afundando, um pescador sentou-se tranquilamente, pois "o furo não era do lado dele". Não era responsabilidade dele, mas o barco afundou assim mesmo, levando junto todos os pescadores.

E assim afundou também o barco da seleção brasileira, levando junto todos aqueles moleques milionários, alguns deles donos de patrimônios maiores do que o PIB da Bolívia. Todos eles sobreviverão, é claro, mas, para nossa felicidade, outra palhaçada dessa, só daqui a quatro anos!

sábado, julho 01, 2006

Vive la France!

Dizem que o primeiro tempo de Brasil x França foi monótono, mas, embalado por três chopes absorvidos durante a tragédia que foi Inglaterra x Portugal, não o assisti. Torcer pela Inglaterra é a única coisa divertida em qualquer Copa, pois os ingleses fazem tudo com muita classe, até mesmo perder. Além disso, o único quarteto mágico que jamais existiu era inglês, formado por Lennon, McCartney, Harrison e Starkey. A tragédia, além de ver os ingleses derrotados no esporte inventado por eles, está em ver Scolari avançar no campeonato usando aquele estilo australopitecíneo tão caro aos portugueses.

Acordei após o gol francês. Aparentemente, o jogo continuou na mesma durante o segundo tempo. Nada que já não fosse esperado, claro, por razões que serão muito melhor analisadas por gente que entende muito mais de futebol do que eu.

Alguns dirão que a culpa foi de Parreira e sua arrogância imperial, incapaz de ver o óbvio que milhões de "técnicos" e comentaristas não cansaram de apontar. O mesmo Parreira que disse não ter se preparado para a derrota nessa fase do mundial, mostrando ser um verdadeiro discípulo de Zagalo, que, em 1974, disse que não estava "preocupado com a Holanda", pois estava apenas "se preparando para enfrentar a Alemanha na final".

Outros dirão que a culpa foi de Roberto Carlos, que estava ajeitando a cinta-liga quando deveria marcar Thierry Henry, único artilheiro da partida.

Outros, finalmente, dirão que a culpa foi de um time formado por jogadores milionários, jogando em clubes europeus, sem compromisso algum com o torcedor brasileiro. Como apontado pela imprensa, poucos deles choraram com a derrota, poucos deles se emocionaram e todos falaram com se tivessem perdido apenas um jogo do campeonato da oitava série. Afinal, para quem ganha milhões de dólares a cada jogo de um clube europeu, deve ser uma grande chateação ser crucificado ao perder jogando de graça.

De qualquer forma, agora que a Copa se transformou em um torneio europeu, resta a opção de torcer para qualquer seleção, desde que não seja Portugal, é claro. Por um lado, Scolari vitorioso seria uma boa lição para Parreira, mas, por outro lado, Portugal vitorioso seria humilhação demais para qualquer brasileiro, até mesmo para aqueles que não gostam de futebol. Se bem que um título português seria o coroamento definitivo para o espetáculo em que se transformou a Copa do Mundo: uma grande palhaçada.

A derrota para a França tem pelo menos quatro vantagens. Primeira, vamos voltar a ver Fátima Bernardes maquiada decentemente. Segunda, o comércio e a indústria brasileiros não terão mais prejuízos enormes com paralisações em dias de jogo da seleção. Terceira, não teremos que ver a equipe brasileira ser recebida em Brasília, homenageada por um presidente que entende mais de futebol do que de economia. E, quarta, com um pouco de sorte, perderemos todos os mundiais daqui para frente. Só assim nos daremos conta de que vale muito mais a pena investir nosso dinheiro e energia nas coisas que realmente importam: educação, cultura, ciência e tecnologia. O resto, pão e circo patrocinados por fabricantes de artigos esportivos e redes de televisão, é bobagem pura.

terça-feira, junho 13, 2006

A irrelevância da Copa do Mundo

Conta a lenda que o grande lógico-matemático brasileiro Newton da Costa chegou certa vez para dar aulas na Universidade de São Paulo e encontrou o campus deserto. Em busca de respostas, talvez temendo uma revolução ou hecatombe nuclear, logo descobriu que as aulas haviam sido suspensas por causa de um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Newton da Costa, internacionalmente conhecido por seus trabalhos em lógica paraconsistente, certamente tinha mais o que fazer da vida do que assistir uma mera partida de futebol e deve ter voltado para casa reclamando desses brasileiros "cabeça-de-torpedo".

Ninguém pretende, obviamente, que brasileiros comuns tenham a dimensão intelectual de da Costa, nem mesmo que cheguem perto disso. Do brasileiro pobre, que passa a vida se espremendo em filas de ônibus, fugindo de balas perdidas e esperando que o fim do mês chegue logo, infelizmente não se pode esperar grandes arroubos intelectuais. Não se pode esperar isso nem mesmo do brasileiro razoavelmente escolarizado, mas que pensa que "Quem mexeu no meu queijo" é um livro de Administração.

Desses brasileiros eu entendo o apego excessivo ao futebol e à Copa do Mundo. Também entendo quando é o caso de pessoas que nasceram em uma "família futebolística", na qual a paixão pelo esporte se propaga como um meme de uma geração a outra. Sei disso, pois vivo com uma delas, atleticana fanática. Nos outros casos, é melhor abandonar qualquer esperança de se encontrar uma explicação racional.

É claro que a nossa não é a primeira civilização a prezar os esportes a ponto de considerá-los manisfestações divinas. Na Grécia antiga, por exemplo, as competições esportivas eram dedicadas aos deuses do Olimpo.

Os atletas gregos, assim como os atuais, passavam uma vida dedicada ao esporte, recebiam tratamento especial, eram venerados e idolatrados.

E, ao contrário aos atletas atuais, que não passam de dondocas milionárias hospedadas em hotéis cinco estrelas, reclamando de febre e bolhas nos pés, os atletas gregos se dispunham a competir até a morte, coisa que acontecia com frequência inadmissível na atualidade.

Apesar disso, alguém sabe quem foram esses atletas gregos? Alguém, que não seja um professor de história, sabe citar ao menos o nome de um deles? Quem eram esses semi-deuses que dedicavam a vida ao esporte? Ninguém sabe. Contudo, qualquer estudante de ensino médio sabe (ou deveria saber) citar uma meia dúzia de filósofos gregos, uns três artistas e talvez um ou dois estadistas.

Os Jogos Olímpicos da antigüidade, que inspiraram os jogos modernos, foram totalmente ofuscados pelas outras contribuições gregas à cultura ocidental, todas elas muito mais importantes.

Ninguém sabe quem foi Leônidas de Rodes, mas todos sabem quem foi Aristóteles. Ninguém sabe quem foi Milo de Croton, mas todos sabem quem foi Euclides. Ninguém sabe quem foi Quiônis de Esparta, mas todos sabem quem foi Arquimedes.

E, da mesma forma que aconteceu com os gregos, nossa herança para as gerações futuras deverá ser intelectual, não desportiva, ao menos se quisermos ser vistos como uma civilização digna de alguma consideração.

Descontando a questão do condicionamento físico, esporte é irrelevante. O corredor mais rápido que existe perderia o fôlego se tentasse alcançar uma chita manca. O nadador mais rápido seria humilhado por um golfinho com uma nadadeira nas costas. O halterofilista mais bem preparado não teria chances contra um gorila adolescente.

E, ainda que esportes coletivos dependam mais de coordenação e trabalho em equipe do que de força bruta e velocidade, qualquer grupo de humanos que tentasse acompanhar uma matilha de lobos durante uma caçada veria que há muitas coisas que é melhor deixar que os (outros) animais façam.

As únicas coisas que fazemos melhor do que os animais dizem respeito ao raciocínio e à comunicação. É nessas coisas que devemos nos esmerar, não em correr, pular e nadar, coisas que os outros animais fazem muito melhor.

Dentro de um ou dois milênios, ninguém mais se lembrará de Pelé, Maradona, Ronaldo, Ronaldinho e outros, mas os nomes de Einstein, Feynman, Hawking, Newton da Costa, Leonardo, Picasso e outros ecoarão ecoarão pela eternidade. Além disso, se for para escolher um esporte, prefiro muito mais tênis feminino do que esses marmanjos peludos que são pagos para brincar de bola.

Brasil e Croácia: 90 minutos de chatice

Com a maior boa vontade do mundo, sentei-me para assistir ao jogo no qual o Brasil demoliria a seleção da Croácia. Depois de várias semanas ouvindo a propaganda de Parreira & Cia, eu tinha certeza que nossos heróis da super-hiper-mega-ultra seleção pentacampeoníssima do mundo não dariam a menor chance para aquele timinho vestido com toalhas de cantina italiana. Mesmo do fundo do meu coração de anti-torcedor, eu tinha certeza que o Brasil passaria com folga pela Croácia e que só viria a encontrar dificuldades com a Austrália. Como não sou entendido em futebol, me enganei.

O que vi foram 90 minutos da mais pura e indescritível chatice, e não me refiro somente à narração de Galvão "Magdo" Bueno. Foram 90 minutos que poderiam ser confortavelmente comprimidos em menos de 5, incluindo aquele gol que até um canguru perneta faria. É por isso que os norte-americanos não gostam de futebol. Eles sabem que tempo é dinheiro.

O fator de capacidade do futebol é realmente decepcionante. São minutos e mais minutos da mais pura chateação: jogadores passando a bola um para o outro, faltas, escanteios, laterais, tiros de meta, torcedores invadindo o campo. De vez em quando, muito de vez em quando, acontece alguma coisa diferente e os torcedores inocentes saem com a sensação de que aqueles momentos valeram pelo jogo inteiro. Pois eu declaro solenemente que não valeram! Futebol é enganação.

Estamos todos sendo enganados pela mídia e por essa cultura futebolística. É preciso retirar o foco do futebol e direcioná-lo para as coisas que realmente importam, como prêmios Nobel, tecnologia de ponta, livros, ciência, educação. Enquanto formos apenas o país do futebol, nunca conseguiremos dos outros países o respeito tão desejado por essa nossa alma latina atormentada por um complexo de inferioridade perene.

E, para mostrar que desgraça pouca é bobagem, depois de vermos nossos jogadores milionários penarem para bater a Croácia, um país que poucos brasileiros conseguem identificar no mapa, com o "Magdo" dizendo que essa é a "maior Copa do Mundo de todos os tempos", a televisão ainda nos brindou com as imagens de Zagallo, com aquele jeitão de Prof. Farnsworth, pedindo pateticamente para alguém trocar de camisa com ele.

Mas domingo que vem tem mais. Como estarei em casa, pelo menos poderei adiantar a leitura de "O Tecido do Cosmo" durante o jogo. Brian Greene, ao contrário de Parreira & Cia, nunca decepciona.