domingo, agosto 23, 2009

Richard Feynman e as Conferências Messenger

Já faz um tempinho que a Microsoft lançou o "Projeto Tuva", mas só agora tive tempo de escrever sobre isso. Trata-se de uma iniciativa de Bill Gates para hospedar as "Conferências Messenger", proferidas por Richard Feynman em 1964, a convite da Universidade de Cornell, e gravadas pela BBC. São sete palestras que podem ser assistidas em http://research.microsoft.com/tuva.

Note que essas palestras não são as "Feynman Lectures on Physics", que deram origem aos famosos e homônimos livros vermelhos (no Brasil, "Lições de Física"), mas sim as palestras que deram origem ao livro "The Character of Physical Law" (há uma edição em português pela Gradiva, intitulada "O que é uma lei física").

O interesse de Feynman por Tuva, uma região no sul da Rússia, nasceu de uma série de selos postais lançados entre 1920 e 1930, o breve período em que Tuva foi um país independente. Quase no fim da vida, Feynman fez planos para visitar a região, mas foi impedido pela burocracia oficial. A liberação foi finalmente expedida pelo governo soviético em 1989, pouco depois da morte de Feynman.

A expressão "Projeto Tuva" tornou-se assim sinônimo de algo extensivamente planejado, mas nunca realizado. Felizmente não foi isso que aconteceu com o "Projeto Tuva" de Bill Gates, que conseguiu adquirir os direitos autorais das palestras e colocá-las no ar, após 20 anos de esforços.

Com esta iniciativa, Gates está quase redimido por ter lançado o Windows ME...

terça-feira, agosto 18, 2009

Nasa descobre glicina em amostras do cometa Wild 2

O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) noticiou ontem que cientistas da Nasa descobriram glicina, elemento fundamental para a formação da vida, em amostras do cometa Wild 2, trazidas à Terra pela sonda Stardust em 2006.

A glicina é o menor dos vinte aminoácidos encontrados comumente nas proteínas dos organismos vivos e é a primeira vez que se descobre uma substância como esta em uma amostra de um cometa. A descoberta reforça a teoria de que alguns dos ingredientes necessários à vida foram formados no espaço e trazidos à Terra por meio do impacto de meteoritos e cometas.

A espaçonave Stardust ("Poeira estelar") foi lançada em 7 de fevereiro de 1999, navegou cinco bilhões de quilômetros e encontrou-se com o cometa Wild 2 em 2 de janeiro de 2004, atravessando a densa nuvem de gás que recobre o astro. Ao voar através da nuvem, a Stardust capturou amostras de material, as quais ficaram presas em uma grade de aerogel, uma fantástica substância sólida composta por 99% de espaço vazio. O aerogel foi posteriormente acondicionado em uma cápsula, que se desacoplou da espaçonave e foi enviada de volta à Terra, aqui chegando em 15 de janeiro de 2006.

A presença de glicina nas amostras ficou clara desde o início, quando a cápsula foi resgatada pelo cientistas. Contudo, era necessário descartar a possibilidade de que as amostras tivessem sido contaminadas com glicina terrestre, durante o preparo da missão. Assim, os cientistas liderados pela Dra. Jamie Elsila, do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa, dedicaram os últimos três anos e meio à tarefa de construir e testar equipamentos especiais que permitissem a análise das amostras. Os resultados da análise foram publicados em um artigo, apresentado em seminário no último dia 16, no qual os cientistas atestam a origem extraterrestre da glicina.

A existência de substâncias orgânicas extraterrestres tem sido bastante debatida. Em 2008, por exemplo, foi detectada a presença de amino acetonitrila, uma molécula semelhante à glicina, em uma nuvem gigante de gás perto do centro da constelação de Sagitário (http://www.sciencedaily.com/releases/2008/03/080326161658.htm). Além disso, mais de 140 espécies de moléculas foram detectadas no espaço desde 1965. A descoberta da Stardust, contudo, é muito mais importante, pois joga nova luz à hipótese da existência de vida microbiana nas vizinhanças da Terra.

sexta-feira, julho 31, 2009

UTFPR adia reinício das aulas

Acredito que todos os alunos da UTFPR já estejam sabendo, mas, só para desencargo de consciência, a instituição anunciou ontem, 30 de julho, que decidiu adiar o reinício das aulas para o próxino 10 de agosto, em virtude da "pandemia" da gripe H1N1. Mais detalhes em http://www.utfpr.edu.br/materia.php?id=396&tipo=noticias.

segunda-feira, julho 20, 2009

20 de julho de 1969: a Águia pousou!

Diz a lenda que naquele 20 de julho de 1969, aos 96 anos do nascimento de Alberto Santos Dumont, dois discursos diferentes repousavam sobre a mesa de Richard Nixon. Em um deles, o então presidente dos Estados Unidos lamentava a perda de dois ou três bravos norte-americanos e declarava que o sonho da conquista da Lua não iria acabar com a tragédia da Apollo 11. No outro discurso, aquele que foi lido em nosso universo, Nixon parabenizava os astronautas, a Nasa, os norte-americanos e declarava encerrada aquela fase da corrida espacial.

Após uma alunissagem tensa, as primeiras palavras na Lua foram ditas por Buzz Aldrin, em linguagem técnica. Poucos segundos depois, às 20h17, horário de Greenwich, o comandante Neil Armstrong finalmente pronunciou aquela célebre frase que traria tranquilidade ao comando da missão: "Houston, aqui Base da Tranquilidade. A Águia pousou". A voz de Armstrong era calma e confiante, não refletindo a tensão decorrente do pouso. De fato, se a alunissagem tivesse demorado mais meio minuto, o presidente Nixon teria sido forçado a escolher o primeiro discurso, pois a Águia pousou com apenas 30 segundos restantes de combustível.

Um dos mitos relacionados à missão Apollo 11 originou-se exatamente por causa da alunissagem. Durante a descida, sob o som de alguns alarmes, Armstrong olhou pela escotilha e viu que o piloto automático estava conduzindo a nave para uma cratera de 400 metros de diâmetro, repleta de rochas. Imaginando que aquele não seria um bom lugar para pousar, Armstrong rapidamente assumiu o controle manual e voou sobre o campo rochoso, procurando um lugar mais apropriado. Surgiu então a lenda de que Armstrong havia evitado o local indicado porque este já estava ocupado... por uma base extraterrestre! Acrescente-se a isso o fato de que Armstrong e Aldrin ficaram quase sete horas dentro do módulo, antes de decidirem sair, e a teoria da conspiração está completa: o que eles ficaram fazendo lá dentro durante tanto tempo? Estariam com medo dos extraterrestres? Estariam tentando se comunicar com eles?

A lenda mais conhecida, é claro, é a de que nada daquilo aconteceu e que as missões Apollo foram produzidas e gravadas em estúdios de cinema. As pessoas que inventam tais teorias da conspiração são do mesmo tipo que dizem que Paul McCartney morreu em 1968, tendo sido substituído por um sósia, ou que dizem que Elvis era um extraterrestre (afinal, de onde mais teria vindo aquela voz descomunal, sem falar no apetite por anfetaminas, que nada mais eram do que complementos alimentares para as células alienígenas?). Seria melhor se esses teóricos da conspiração empregassem melhor a imaginação e direcionassem o ceticismo para alvos minimamente atingíveis.

Todas essas bobagens já foram desmentidas várias vezes. A teoria da farsa das missões Apollo foi desmascarada em alto estilo pelos Mythbusters (episódio 104, temporada de 2008). Evidentemente, nada disso convence os crentes, pois o recurso final deles é sempre alegar que todas as explicações fazem parte da conspiração. A maior prova de que a missão existiu, contudo, não foi apresentada pelos Mythbusters, mas pelos principais interessados no fracasso norte-americano: os russos. Objeção alguma jamais foi levantada por Moscou e o governo soviético apressou-se em desmontar seu programa lunar pouco depois que a superioridade tecnológica norte-americana ficou evidente.

Teorias da conspiração à parte, é uma pena que as missões Apollo tenham sido canceladas antecipadamente (pelo menos do ponto de vista de um menino que cresceu durante a década de 70 e ficou levemente irritado quando um coleguinha insinuou que Armstrong era um músico de jazz). Todos sabemos que a Nasa planeja retornar à Lua, mas isso demandaria o investimento de centenas de bilhões de dólares, os quais dificilmente serão gerados pela combalida economia norte-americana atual. Naturalmente, tais recursos se tornarão abundantes caso a auto-estima norte-americana venha a se encontrar ameaçada, como certamente ocorrerá caso outro país decida colonizar nosso satélite. Assim, o destino da exploração pacífica tripulada, seja da Lua, seja do restante do Sistema Solar, parece estar nas mãos da China. Afinal, nada cutucará mais a moral norte-americana do que mais uma ameaça de uma bandeira vermelha plantada no Mar da Tranquilidade.

quarta-feira, julho 08, 2009

Meu Twitter

Da mesma forma que muita gente hoje em dia, também estou no Twitter. Para quem quiser me seguir (ou me evitar, conforme o caso), meu endereço é http://twitter.com/alvaro_augusto .