sexta-feira, novembro 17, 2006

Novembro de 1906: um brasileiro nos céus de Paris

Em outubro de 1906, o brasileiro Alberto Santos-Dumont já havia feito seu primeiro vôo com o 14 Bis, a primeira aeronave mais pesada do que o ar a levantar vôo sem equipamentos auxiliares. Pela façanha, recebeu um prêmio de 3.000 francos (cerca de R$ 30.000 atuais). Em 12 de novembro do mesmo ano, o brasileiro voltou ao comando do 14 Bis, realizando o primeiro vôo reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional.

Muitos brasileiros ficam irritados quando os norte-americanos afirmam que o avião foi inventado pelos irmãos Wright. O interessante é que muitos países têm seus pioneiros da aviação. Os neozelandeses têm Richard Pearse, os alemães têm Karl Jatho, os romenos têm Traian Vuia e até mesmo os irmãos Wright têm concorrentes nos Estados Unidos, pois muitos dizem que Gustave Whitehead teria alçado vôo em uma aeronave mais pesada do que o ar em 1901, dois anos antes de Wilbur e Orville. Na época, havia uma grande concorrência entre inventores de diversas partes do mundo, pois, com a invenção do motor a combustão interna, era só uma questão de tempo até que alguém resolvesse o complicado problema do vôo com o mais pesado do que o ar. Assim, para nós, brasileiros, a questão da primazia de Santos-Dumont não é realmente importante.

Lembremos que, por volta do início do século XX, os Estados Unidos já haviam ultrapassado o PIB da Inglaterra. Já havia naquele país, como sempre houve, um grande respeito pela iniciativa privada, por invenções e por inovações. De fato, Wilbur e Orville Wright trabalharam em terra pátria, de olho no potencial comercial do invento, escondendo o projeto dos concorrentes. O Brasil, por outro lado, era uma grande fazenda recém-saída do Império. Não havia aqui indústria de porte, pois ainda sofríamos os efeitos devastadores da administração colonial de um Portugal tão atrasado que impedia que as colônias tivessem indústrias de qualquer espécie ou sequer imprimissem livros. A Santos-Dumont, como a tantos outros antes e depois dele, não restava alternativa a não ser atravessar o Atlântico e instalar-se no centro do mundo civilizado: Paris.

Na França, Santos-Dumont construiu 11 dirigíveis entre 1898 e 1905. Usando o dirigível Número 6, ele conquistou um prêmio de 100.000 francos, após partir do Parque Saint Cloud, contornar a Torre Eiffel e retornar em menos de 30 minutos, mantendo velocidade acima de 22km/h. Depois disso, Santos-Dumont tornou-se uma celebridade em Paris, a ponto de ter seu estilo de vestuário copiado pelos parienses, e viajou aos Estados Unidos em 1904, sendo recebido pelo presidente Theodore Roosevelt. Isso tudo ocorreu antes do 14 Bis e daquele que foi a mais perfeita de todas as aerovaves primitivas: o Número 19, mais conhecido como Demoiselle. Ao contrário dos irmãos Wright, que tinham ambições militares para o Flyer, Santos-Dumont sonhava com um futuro no qual todos teriam um avião particular.

Santos-Dumont não precisa ser lembrado por ter sido o inventor do avião, por ter sido o primeiro a levantar vôo sem equipamentos auxiliares em uma aeronave mais pesada do que o ar ou por ter sido o inventor do ultra-leve. Ele deve ser lembrado simplesmente por ter mostrado que, dadas as condições adequadas, os brasileiros podem concorrer em pé de igualdade em ciência e tecnologia de ponta. É isso que realmente importa.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Projeto de lei do controle de acesso à internet retirado da pauta da CCJ

Ainda há alguma esperança no ar. O Projeto de Lei Substitutiva 124/06, que está em tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e prevê uma maior regulamentação sobre o acesso à internet, foi retirado da pauta nesta terça-feira (7/11).

O comentário do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos sobre o projeto foi: "Qualquer tentativa de coibir a liberdade de expressão deve ser liminarmente afastada. Como dizia aquele juiz da Suprema Corte americana, a Constituição não quer que a imprensa seja justa. A Constituição quer que a imprensa seja livre. Acredito que o projeto tem problemas."

Não há data prevista para que o projeto volte a à pauta.

terça-feira, novembro 07, 2006

Controle do acesso à internet, declive escorregadio e liberdades individuais

De acordo com reportagem da Folha de São Paulo , a "Comissão de Constituição e Justiça do Senado votará, na próxima quarta-feira, um projeto de lei que obriga a identificação dos usuários da internet antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de e-mails, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros. " [1] .

O projeto prevê ainda pena de reclusão de dois a quatro anos para quem acessar a internet sem se identificar, sendo que os provedores de internet ficariam responsáveis pela veracidade dos dados cadastrais dos usuários e estariam sujeitos à mesma pena.

Não tenho dúvidas que há muita liberdade na internet e que muita gente é colocada em perigo por causa disso, especialmente crianças, que se tornam vítimas de pedófilos, e clientes de bancos, que se tornam vítmas de hackers. As dúvidas que tenho são apenas duas:

1. Quem garante que, após a entrada em vigor da lei, um infrator não poderá ter acesso aos documentos de outra pessoa, usando-os para abrir uma conta em um provedor qualquer, cometendo os mais variados crimes e fazendo a culpa recair sobre o dono dos documentos? Se contas bancárias, que exigem RG e CNPF, são abertas facilmente com o uso de documentos de terceiros, quem garante que o mesmo não acontecerá com contas de acesso à internet?

2. Quem garante que essa cassação da liberdade de acesso não será o início de um processo maior de controle? Quem garante que esse declive em que estamos prester a entrar não é escorregadio? Afinal, como dizia David Hume, filósofo escocês do século XVIII, "raramente se perde qualquer tipo de liberdade de uma única vez".


[1] LOBATO, Elvira. Projeto quer controlar acesso à internet. Folha de São Paulo. 6 de nov. 2006. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20908.shtml>. Acesso em 7 de nov. 2006.

sexta-feira, outubro 13, 2006

CEFET-PR é a primeira Universidade Tecnológica do Brasil!

O CEFET-PR, instituição de 96 anos de idade, acaba de ser transformado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFPR, pela sanção da lei 11.184, de 7 de outubro de 2005.

De acordo com o professor Eden Januário Netto, diretor da instituição e reitor pró-tempore, a transformação do CEFET-PR em universidade acarreta nos seguintes benefícios:

  • Maior acesso a investimentos, pois as universidades têm prerrogativas específicas oriundas da Constituição Federal da República.
  • Maior facilidade de planejamento das atividades.
  • Possibilidade de obtenção de recursos para projetos específicos.
  • Internacionalização da instituição, pois o termo "Universidade Tecnológica", ao contrário de "Centro Federal de Educação Tecnológica", é globamente conhecido.

A UTFPR já nasce com 14 mil alunos, 1.330 professores e campi em Curitiba, Pato Branco, Dois Vizinhos, Medianeira, Cornélio Procópio, Ponta Grossa e Campo Mourão.

Atualmente, são oferecidos 41 cursos de graduação, 4 programas de mestrado, um doutorado, 10 cursos técnicos de nível médio e cerca de 50 cursos de especialização. A estrutura dos programas de pós-graduação, aliada à excelência do corpo técnico, foi um dos fatores decisivos para a mudança.

Je vous salue, UTFPR!

segunda-feira, outubro 09, 2006

Alckimn X Lula - Primeiro combate

O bloggeiro Ricardo Noblat comparou o primeiro debate entre Alckmin e Lula a uma luta de boxe e foi isso mesmo. Lula ficou a maior parte do tempo nas cordas, pois Alckmin já iniciou batendo, relembrando o custo da corrupção, de acordo com dados do Banco Mundial. Lula parece ter ficado tão assustado que se esqueceu de cumprimentar seus eleitores e o público presente. Coisa lamentável para um decano de campanhas presidenciais.

Quando Lula batia, parecia desajeitado, assassinando o português, cometendo erros pavorosos de concordância, lendo textos preparados por assessores despreparados, insistindo que o biodiesel é a solução para nossos problemas energéticos, repetindo que não sabia de nada, afirmando que cabe a ele o mérito de ter afastado os corruptos (quando se sabe que todos os escândalos foram levantados por Roberto Jefferson e pela imprensa).

Alckmin, por outro lado, perdeu umas boas oportunidades de jabs. Deixou de atacar quando o outro candidato lembrou que "essa quadrilha começou no governo anterior", esqueceu de dizer que o crescimento econômico do Brasil não foi o maior dos últimos 20 anos, como aventado por Lula, esqueceu de lembrar que a política econômica do governo do PT, a qual, segundo Lula, "salvou o país", é idêntica à do governo FHC. Talvez Alckmin queira descolar sua imagem da de FHC, mas ele poderia ao menos ter lembrado que o dólar só foi a R$4,00 em 2002 por causa do medo da eleição de Lula, e que muita coisa que aconteceu entre 2003 e 2006, aconteceu apesar do governo, não por causa dele.

No final, Lula se despediu, agradecendo aos "telespectadores da Rádio Bandeirantes". A Coréia do Norte parece ter gostado do debate, pois comemorou soltando bombas.