quinta-feira, dezembro 31, 2015

Esperanças para 2016

Então, eis que se aproxima mais uma transição entre dois estados temporais definidos arbitrariamente pelo Ocidente.

Que as pessoas continuem praticando esses rituais criados de maneira igualmente arbitrária, que fazem a felicidade dos plantadores de lentilhas e romãs, sem falar nos produtores de carne de porco e nos fabricantes de fogos e espumantes.

Que as pessoas continuem pulando as ondas de um mar que já estava aqui bilhões de anos antes de nós e que vai continuar aqui bilhões de anos depois de nós.

Que o governo se dê conta de que mais saúde não é só mais médicos e de que mais educação não é só mais professores.

Que a música popular brasileira e o rock brasileiro renasçam de algum canto e empurrem para longe essa coisa de duas ou três estrofes repetitivas que alguns chamam de funk e essa música de pegação que alguns chamam de sertanejo universitário.

Que o governo se dê conta de que o Brasil precisa de mais mercado e menos estado, pois a receita inversa não deu certo em lugar algum.

E, finalmente, que nossas bactérias continuem unidas em 2016, formando esses macroagregados que produzem esse comportamento emergente, caracterizado por essa peculiar oscilação eletromagnética que considera a si mesma como o centro de tudo e o auge da evolução da vida no Universo!


segunda-feira, dezembro 28, 2015

A ditadura e eu

Era a época dos rádios a válvula, dos discos de vinil, das fitas cassete e dos carros com "corta-vento" e sem cinto de segurança.

Naquela época os fumantes fumavam onde bem entendessem, inclusive em salas de aula e reuniões a portas fechadas, com a possível exceção de igrejas e maternidades. Caso alguém reclamasse, podia receber uma baforada gratuita nas fuças.

Era a época do Mobral, da Educação Moral e Cívica, das crianças perfilando para fingir que cantavam o hino nacional enquanto seus pais exultavam pela "educação" que seus filhos estavam recebendo.

Naquela época as calculadoras tinham alavanca, a televisão era em preto e branco, sem controle remoto, e os mais afortunados tinham acesso a três canais, talvez quatro. Mas a programação se encerrava para todos depois das tantas.

Era a época da guerra fria, da caça aos comunistas, aos guerrilheiros, do assassinato de recrutas para roubo de armas e munição, da pena de morte e da prisão perpétua institucionalizadas, dos torturados pelo bem da pátria, do AI-5 e da censura prévia.

Naquela época pré-tecnológica, sem e-mail, sem Google, sem Youtube, sem redes sociais, sem celulares, sem liberdade de expressão, à qual ninguém deseja retornar, os militares reinavam na Nova Roma com poderes quase divinos.

Tendo nascido pouco depois daquele abominável abril de 1964, não pude saber como eram as coisas antes. Na minha infância e adolescência, um governo militar era tão natural quanto é para um peixe respirar em baixo d'água. Meus professores de Moral e Cívica nunca falavam em "ditadura", mas "em regime militar". Nunca falavam em "golpe de estado", mas em "revolução", e diziam que a diferença entre a eleição para presidente nos EUA e aqui é que lá a eleição era direta, enquanto aqui era indireta.

Já no segundo grau (hoje "ensino médio"), Moral e Cívica se transformou em Organização Social e Política Brasileira (OSPB). Já eram os primórdios dos anos 80 e a fase de chumbo havia acabado. Os militares



John Von Neumann


Há 112 anos nascia John Von Neumann, matemático, físico e inventor húngaro, radicado nos Estados Unidos em 1938, pouco antes da anexação da Hungria pelos nazistas. Ele fez grandes contribuições em um grande número de campos, como matemática (análise funcional, topologia e teoria dos números), física (mecânica quântica, hidrodinâmica e mecânica dos fluidos), teoria dos jogos, computação (programação linear, máquinas auto replicantes, computação estocástica) e estatística. Ele foi também um dos membros do Projeto Manhattan, um dos primeiros membros do então recém-fundado Instituto de Estudos Avançados de Princeton e uma figura chave no desenvolvimento dos computadores digitais. Von Neumann era muito sociável, gostava de oferecer grandes festas e estava sempre muito bem trajado, mesmo quando, certa vez, teve de atravessar o Grande Canyon em uma mula e insistiu em usar um terno de três peças. Infelizmente, Von Neumann morreu muito jovem, aos 53 anos, vitimado provavelmente por um câncer de pâncreas. Especula-se que a doença tenha sido causada pela radiação emitida por dois testes nucleares realizados em 1946, após a segunda guerra, conhecidos como “Operation Crossroads”.