quinta-feira, maio 17, 2007

Darwin na revista Veja

A revista Veja de 9 de maio, motivada pela exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP), que vai até o próximo 15 de julho, trouxe como reportagem de capa a matéria “A revolução sem fim de Darwin”. Na semana anterior, a mesma revista havia publicado uma reportagem sobre a descoberta do planeta Gliese 581, o melhor candidato conhecido ao cargo de planeta habitável fora do Sistema Solar. Duas reportagens científicas em duas semanas consecutivas, publicadas por revista não especializada, é prova de que esse país tão carente de ciência e tecnologia ainda tem jeito. Contudo, é triste perceber que o Brasil faz parte dos países onde reportagens científicas atraem críticas religiosas. É isso que faz, por exemplo, o jornalista Michelson Borges, em artigo publicado no Observatório da Imprensa [1].

Não vou comentar a crítica de Borges em particular. Basta dizer que ela não é científica, muito menos nova. Críticas à teoria da evolução surgiram com o próprio trabalho de Darwin, publicado originalmente em 1859, e se baseiam em um ou mais argumentos da seguinte lista, a qual não pretende ser completa:

(a) A citação de que a bíblia, que representa a palavra de Deus, afirma que o mundo e todos os seres vivos foram criados a um só tempo.

(b) A alegação de que o homem, tendo sido criado à imagem de Deus, não pode ser descendente de seres “inferiores”, tais como símios primitivos.

(c) A citação de frases de filósofos e cientistas contrapondo-se à teoria da evolução.

(d) A afirmação de que a evolução é “apenas uma teoria”, não um fato.

(e) A lembrança de que a repetida menção a Darwin, a quem a teoria da evolução está perenemente vinculada, representa um “culto” e, logo, é irracional.

(f) A alegação de que a vida não poderia ter surgido por acaso, como afirma a teoria da evolução.

Nenhum dos argumentos acima é científico, embora todos sejam muito comuns. Vamos analisar rapidamente cada um deles.

O argumento (a) parte de duas hipóteses subjacentes: a hipótese de que a bíblia representa a palavra de Deus e a hipótese de que a bíblia contém enunciados científicos. A primeira hipótese só pode ser aceita por meio da fé, pois o único lugar onde está escrito que a bíblia representa a palavra de Deus é na própria bíblia. Logo, devemos aceitar este texto sagrado como escrito por Deus antes mesmo de tê-lo aceito como escrito por Deus! A segunda hipótese, a de que a bíblia contém enunciados científicos, subverte a própria razão de existência deste livro. De fato, os hebreus nunca foram um povo científico, nunca se dedicaram a problemas científicos e escreverem a bíblia com propósitos religiosos e culturais. Acreditar que camponeses mediterrâneos, desconhecedores do método científico, possam ter descoberto os segredos profundos do universo é, novamente, um ato de fé. E, tendo-se fé, é possível alegar, talvez até provar, a existência de qualquer coisa, desde o monstro de espaguete até a xícara de chá em órbita de Marte (ou será Saturno? - nunca me lembro. De qualquer forma, esse meu último argumento não é novo nem original, mas é muito bom!).

O argumento (b) é também religioso, não científico, e surge da posição central reservada ao homem pelas religiões judaico-cristãs. Somente os adeptos de tais religiões poderiam se sentir ofendidos por uma teoria que coloca o homem e os outros animais como herdeiros de um ancestral comum. Um budista, por exemplo, dificilmente teria tais temores. Enquanto muitas religiões consideram os conceitos de “criação” e “evolução” como antagônicos, o budismo prescinde do próprio conceito de “deus criador”. Por tal razão, o budismo atual aceita calmamente a teoria da evolução, assim como aceita as teorias modernas sobre a origem do universo. É claro que, à luz de tal constatação, muitos cristãos, especialmente os protestantes mais radicais, rapidamente rotularão o budismo como “filosofia” e não como “religião”, livrando-se da espinhosa tarefa de explicar como um sistema de crenças adotado por milhões de pessoas pode se sentir tão à vontade com o papel não central reservado ao homem (*).

O argumento (c) dificilmente convencerá uma pessoa de certa cultura. Frases de cientistas e filósofos, especialmente quando removidas dos contextos em que foram enunciadas, podem ser usadas com os mais variados fins. Palavras de homens como Kepler, Newton, Galileu e Einstein têm sido usadas por ateus e crentes para seus próprios fins. Retórica, nada mais. Entretanto, a ciência não é uma coleção de frases de cientistas famosos, mas sim uma coleção de hipóteses que devem ser submetidas à verificação experimental. Se uma determinada hipótese, mesmo que levantada pelo cientista mais graduado que se possa imaginar, contradiz um resultado experimental, então, sinto muito, mas tal hipótese é falsa. Recorrer à palavra de cientistas e filósofos famosos, especialmente quando mortos, sem dar atenção à verificação experimental, é um exemplo de “argumento de autoridade”, não de argumento científico.

A afirmação (d), de que a evolução é “apenas uma teoria”, é bastante comum. E errada. Ela se baseia no conceito leigo de “teoria”, que é bastante diferente do conceito científico. Para os leigos, uma “teoria” é um conjunto de idéias e pensamentos que são frequentemente desmentidos pela prática (“na prática a teoria é outra”, dizem). Para um cientista ou filósofo da ciência, por outro lado, uma teoria é um conjunto de hipóteses que podem ser verificadas experimentalmente. Trata-se de uma questão de evidências, não de uma questão de fé. E as evidências a favor da teoria da evolução são avassaladoras, a ponto de não existir uma teoria científica concorrente, aspecto que deixa os criacionistas particularmente irritados. O leitor interessado pode consultar o site TalkOrigins [2], que contém uma grande quantidade de informações sobre evidências a favor da teoria da evolução.

Outro problema com o argumento (d) é uma falha em reconhecer que tudo o que temos são modelos teóricos. A afirmação de que o Sol nascerá amanhã no leste é parte de um modelo teórico, a afirmação de que a Terra é esférica é parte de um modelo teórico, a afirmação de que o coração impulsiona o sangue é parte de um modelo teórico. Quando um modelo pode ser submetido à verificação experimental, dizemos tratar-se de um modelo científico. A afirmação de que o universo surgiu do ato de pura imaginação dos alienígenas verdes do planeta Dreenor, por exemplo, também é um modelo teórico, mas não é um modelo científico, pois não pode ser verificado experimentalmente. Assim, a teoria da evolução é realmente “apenas uma teoria”, mas é uma teoria científica. Outras teorias concorrentes da evolução, como o criacionismo e o design inteligente, também são teorias, mas não são científicas.

O argumento (e) não pode ser direcionado aos biólogos evolucionistas profissionais. A admiração por Darwin pode levar um adolescente a se tornar um biólogo, assim como a admiração por Einstein pode levá-lo a se tornar um físico, mas nenhum profissional sério se mantém ativo na profissão por causa de amor platônico. E embora a idolatria, direcionada a Darwin ou a qualquer outro cientista, seja realmente irracional, nada disso depõe contra a teoria da evolução ou qualquer outra teoria científica. Trata-se apenas de um pequeno ciclo de confusões de alguém que diz: “Minha religião afirma que o homem foi criado por Deus. Logo, o homem não pode ter evoluído a partir de bactérias. Logo, a teoria da evolução é errada. Logo, Darwin, que criou a teoria da evolução, estava errado. Logo, a admiração por Darwin é errada. Logo, devemos combater toda afirmação favorável a Darwin, pois não fazê-lo seria aceitar a teoria da evolução, que nós combatemos”. Vaidade, nada mais que vaidade.

Finalmente, a alegação (f) é fascinante, pois parte de duas hipóteses subjacentes: a hipótese de que a evolução se deu (e se dá) por acaso e a hipótese de que a teoria da evolução diz algo sobre o surgimento da vida. Ambas hipóteses falsas.

A hipótese do acaso tem sido levantada por vários religiosos, especialmente pastores protestantes. Eles frequentemente dizem que acreditar na evolução é o mesmo que acreditar que, colocando-se plástico, tinta e metal sobre uma mesa, em algum momento futuro surgirá uma caneta esferográfica pronta. Mas não é assim que a evolução funciona.

A evolução não se dá ao acaso. A evolução é simplesmente a mudança dos traços hereditários de uma população, de uma geração para outra, e tal mudança ocorre por meio da combinação de dois processos básicos: mutações genéticas e seleção natural. As mutações são aleatórias e tal característica pode dar a impressão de que a evolução também é aleatória, ou seja, se dá ao acaso. Contudo, a seleção natural não é aleatória, pois privilegia a sobrevivência dos organismos mais bem adaptados e não a sobrevivência de organismos selecionados ao acaso. As pressões do meio-ambiente produzem um incentivo suficiente para que a evolução pareça ter um objetivo, embora orientado por uma mão cega. E é sempre bom lembrar que “evolução” não significa necessariamente “melhoria”. Primeiro, porque teríamos que definir o que significa “melhoria”. Segundo, porque há casos em que estruturas mais complexas evoluíram para estruturas menos complexas, como ocorreu com as nadadeiras das baleias. Nossa prosaica caneta esferográfica não se reproduz, não responde às pressões do meio-ambiente e, logo, não sofre seleção natural (mas, caso tal acontecesse, poderíamos dizer com segurança que apenas as canetas mais bem adaptadas sobreviveriam!).

A segunda hipótese do argumento (f) é falsa porque a teoria da evolução não afirma nada sobre o surgimento da vida na Terra. Não se trata de uma teoria da “criação científica” ou da “geração espontânea”, mas sim de uma teoria que afirma que os organismos mais complexos (como nós, os golfinhos, os ornitorrincos e as sequóias) evoluíram a partir de organismos menos complexos (as bactérias primitivas). A teoria da evolução não faz nenhuma afirmação sobre o surgimento das primeiras bactérias em si. Sobre tal fenômeno, no momento só temos hipóteses não verificadas. A mais provável delas, denominada abiogênese, é a de que a vida surgiu a partir de macromoléculas orgânicas contidas no ambiente primitivo. Todavia, não poderemos ter certeza disso até que alguém consiga produzir uma bactéria viva a partir de macromoléculas não vivas. Quando tal feito ocorrer, se ocorrer, ele será mais importante do que a descoberta de vida extraterrestre, mais importante do que a fusão a frio, mais importante do que a reversão do aquecimento global. Se tal feito ocorrer, os cientistas viverão uma época fascinante, embora possam vir a ser acusados mais uma vez de “brincar de Deus”. Os religiosos mais radicais da linha judaico-cristã, por outro lado, enfrentarão tempos difíceis.

________________________________

[1] http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=433FDS004
[2] http://www.talkorigins.org/
(*) Obviamente, as afirmações favoráveis ao budismo não me tornam budista.

23 comentários:

  1. Alvaro, belo texto. Mas se voce fosse budista, isto certamente não seria nenhum pecado :-)

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  2. Belo texto. Alvaro, se fosse budista, certamente isso não seria nenhum pecado :-)

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  3. He he, certamente não seria pecado, mas minha alma cética acharia meio estranho...

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  4. Olá Alvaro
    De vez em quando volto aqui pare reler seus textos, e sempre é uma prazer. Acabei de ler o novo, sobre a palestra criacionista, e voltei de novo aqui, para este, que é um dos melhores.
    Parabéns, de novo..:-)
    E não deixe se contaminar pelo Budismo, que embora seja mais tolerante e razoável, ainda precisa de fé e de uma certa cegueira para ser aceito..:-)
    Um abraço.
    Homero

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  5. Caro Homero,

    Obrigado pelos comentários. Quanto à questão do budismo, meu interesse é puramente estético. Gosto dele porque, em média, os budistas são mais abertos do que os adeptos de outras religiões. Mas, como estou em busca de respostas, não de dogmas, já viu né?

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  6. Anônimo1:43 AM

    Caro Alvaro:
    Achei interessante seus argumentos, no entanto a teoria da evolução não "é fato comprovado" como quer fazer-nos acreditar. Ainda se trata de uma ideologia, que enfrenta sérias dificuldades, que tal pode ser relegada a uma questão de extrema fé, não ficando muito além dos critérios e conceitos teístas. Por exemplo, não nenhuma evidêcia da origem naturalista da vida, mas o neodarwinismo insiste que a vida surgiu na sopa orgânica. Não existe uma continuidade entre as epécies, e nem fósseis que liguem um espécie a outra, mas insistem que existem fósseis intermédiarios. Não há comprovação de que mutações possam produzir algo novo. (na melhor das hipóteses, as mutações só produzem varição do material gênico já existente, mas nenhuma nova informação ou nova estrutura) mas, insistem que as mutações são responsáveis pela formação de novas espécies. Não existe nenhuma comprovação de macro-evolução, mas insitem que ela ocorreu. Assim, podemos afirmar com certeza, que a teoria da evolução e mantida por "fé", assim como o criacionismo.
    obrigdo.
    Aroeira.

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  7. Caro Aroeira,

    Esse meu "artigo" em particular é mais sobre os argumentos dos criacionistas contra a evolução do que sobre as evidências a favor da evolução. Mesmo assim, vamos lá:

    Fósseis transicionais
    Na época de Darwin não existiam fósseis intermediários ou transicionais, o que causou sérias dificuldades aos evolucionistas. Contudo, a paleontologia avançou bastante desde então e hoje podemos afirmar com segurança que temos fósseis transicionais em grande quantidade. Falhas de documentação existem e sempre existirão, por uma única razão: fósseis de qualquer tipo são raríssimos. Recomendo uma leitura em http://www.talkorigins.org/faqs/faq-transitional.html para esclarecer esse ponto.

    Origem da vida
    Como eu afirmei, a teoria da evolução não trata necessariamente da origem da vida na Terra. Ela trata simplesmente da variação do material genético de uma geração a outra submetidas à seleção natural. Esse fato tem sido observado incontáveis vezes. A hipótese da origem abiótica da vida (abiogênese) ainda não foi comprovada, como eu também mencionei, mas a teoria da evolução não precisa dela para funcionar. Ainda assim, cedo ou tarde a abiogênese será comprovada, basta esperar. O número 7 da "Scientific American História", que ainda deve estar nas bancas, traz alguns artigos interessantes sobre isso. Lembro de ter visto alguma coisa também na revista Veja dessa semana.

    Mutações produzindo algo novo
    A origem de novas espécies por meio de evolução tem sido observada, tanto na natureza quanto em laboratório. Recomendo uma leitura em http://www.talkorigins.org/faqs/faq-speciation.html para esclarecer esse ponto. Um problema óbvio é que a maior partes dos processos que seriam entendidos como provas irrefutáveis da evolução, talvez até pelos criacionistas, demoram milhões de anos para acontecer. A evolução das espécies não ocorre como naquele filme pavoroso chamado "Evolution", onde uma lagartixa se transforma em um crocodilo no decorrer de poucas horas.

    Macroevolução
    Existem muitíssimas evidências a respeito da macroevolução. Como escreveu o Roberto Takata em outro lugar desse blog: "os padrões filogenéticos, os padrões de similaridade e diferenças de desenvolvimento dos organismos, a distribuição geográfica, o registro fóssil. É fato q há fósseis com características de aves (penas) e de dinossauros (cauda óssea, dentes e outros). É fato q há fósseis com características de animais terrestres (pernas bem desenvolvidas) e de baleias (estrutura do ouvido). O interessante é que muitos criacionistas, ao verificar que a "microevolução" é inegável, passam a argumentar que a macroevolução nunca foi observada, o que não é verdade. O que eles não percebem é que, ao aceitar a microevolução, devem aceitar também a macroevolução, pois os mecanismos básicos são os mesmos. A divisão que eles fazem, contudo, deve-se a argumentos teológicos, não a argumentos científicos.

    Obrigado pelos seus comentários.

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  8. Anônimo11:56 PM

    Caro Álvaro,
    Sei que precisaríamos de centenas de páginas para discorrer sobre esse polêmico tema que é a teoria da evolução. Mas, tomo a liberdade no momento para questionar apenas um dos temas levantados. E por agora escolhi as mutações genéticas, onde fiz algumas breves colocações.

    As limitações das mutações.

    O Neodarwinismo defende que as mutações produzem a matéria-prima para o trabalho da seleção natural. Com o advento do Neodarwinismo, as idéias mendelinas foram agregadas à teoria da evolução. Theodosius D. foi um entre muitos dos especialistas em mutações que alegaram que a seleção natural não poderia provocar a variação genética necessária, ele então sugeriu que as mutações são importantes para o processo evolutivo1. Sabe-se que a maioria das mutações são letais ou deletérias causando sérios danos ao organismo como acontece no caso de doenças graves como daltonismo, albinismo, anemia falciforme, síndrome de Down e outras. Não se conhecem mutações que sejam positivas na espécie humana, e até então não se provou o contrário. É verdade que as mutações “benéficas” são citadas como o único brado do neodarwinismo em favor da evolução, especialmente as mutações em bactérias que se tornam resistentes a antibióticos. Essas mutações ocorrem nos plasmídios das bactérias, alterando a informação gênica, produzindo enzimas que são capazes de resistir aos antibióticos. Mas, isso ocorre com muita raridade, entre milhares ou milhões de replicações corretas para uma única mutação. Essa raridade se deve a maquinaria do DNA que tem mecanismos vitais para corrigir erros que surgem. No entanto, esse exemplo não é relevante em apoiar a teoria da evolução, visto que as mutações não provocam nenhuma nova informação no genoma das bactérias, não formam novas estruturas, e nem explicam como novas estruturas poderiam surgir. As bactérias continuam sendo bactérias. Não se observa a “origem de novas espécies” por meio de mutações. E buscar refúgio no fator tempo, só pode complicar as coisas, visto que em mais de 40 anos de experiências com mutações os especialistas percebem as grandes dificuldades que enfrentam em encontrar mecanismos mutantes que realmente expliquem uma evolução das espécies. E se estendermos essas mutações para bilhões de anos de nada adiantará, pois se tem evidência empírica sobre os efeitos e limitações dessas mutações, e o tempo não mudaria isso. Além disso, as bactérias mutantes que resistem aos antibióticos são menos férteis, e apresentam aberrações gênicas que não produzem nenhum organismo aprimorado. Por mais freqüentes que sejam as mutações, essas não produzem nenhum tipo de evolução.
    Obrigado.
    Aroeira

    1 – Dobzhansky, Theodosius; O homem em evolução (1968) Ed. Polígono S.A. Trad. Josef Manasterski. SP – pgs. 52; 151.

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  9. É falso o argumento de q não se conhece nenhuma mutação benéfica em seres humanos. Os alelos q provocam a anemia falciforme são vantajosos em populações em q há alta incidência de malária. Há ainda um alelo c da hemoglobina q proporciona resistência à malária e não parece provocar anemia falciforme.

    E, em nosso sistema imune, ocorrem mutações a todo momento, se não houvesse mutação benéfica, morreríamos no primeiro resfriado.

    []s,

    Roberto Takata

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  10. E se mutações não produzissem ganho de função, a tecnologia Selex seria impossível:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Systematic_Evolution_of_Ligands_by_Exponential_Enrichment
    http://www.springerlink.com/content/l4206618t11009rx/

    Algumas rodadas de mutação-seleção são o que basta para produzir seqüências com afinidades dezenas de vezes maior a determinados ligantes.

    []s,

    Roberto Takata

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  11. Caro Aroeira,

    Imagino que os comentários do Roberto Takata sejam suficientes para elucidar a questão das mutações. Adicionalmente, há vários exemplos observados de especiação. Uma lista parcial pode ser encontrada em http://www.talkorigins.org/faqs/speciation.html. Há também um curto artigo em português, em http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/2684, onde se comenta sobre a especiação do pulgão da ervilha.

    Basta procurar por especiação + evolução no Google e surgirão mais de 42 mil referências.

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  12. Anônimo12:34 AM

    Prezado Álvaro,
    Achei ainda conveniente fazer uma tréplica cabível às colocações do autor Roberto Takata.

    Anemia Falciforme
    É verdade que o Neodarwinismo defende que a mutação que causa a anemia falciforme é considerada como ‘benéfica’, quando associada a fatores ambientais com alta incidência de malária. Mas, num âmbito que não envolve causas neodarwinistas evolutivas, muitos biólogos moleculares consideram essa como uma mutação dramática e letal na hemoglobina humana do códon GAA para GUA, que provoca anemia 1. Essa deficiência de forma alguma pode ser considerada como positiva. Os alelos falciformes não têm chance de se fixar em uma população visto que esses ocorrem com muita raridade com uma freqüência que não ultrapassaria certo limite, por isso não se fixaria no “pool” gênico de uma população. De maneira que esse exemplo não é apropriado para ‘provar’ um aprimoramento genético. A única vantagem desse modelo é que mudanças seletivas são dependentes de determinado fator ambiental. Uma analogia pode elucidar essa questão. Imagine um deficiente auditivo que more às margens de um barulhento aeroporto. Esse deficiente é obvio, não terá dificuldades com o extremo barulho que incomodará os ‘ouvintes’, no entanto, tal suposta vantagem não tornará essa pessoa mais capacitada ou aprimorada. Os portadores de anemia falciforme que vivem em áreas infestadas por malária não estão em melhor posição, visto que de qualquer forma enfrentam a própria anemia que pode ser fatal, mesmo que não adquiram malária.

    Sistema Imunológico
    O sistema imunológico possui uma eficaz estratégia de defesa contra antígenos no organismo. O DNA contém um inúmero segmento de genes que sintetizam linfócitos que produzem anticorpos de defesa. Existe uma série de mistura, remendo e combinações gênicas que produzem uma variedade enorme de anticorpos que podem somar bilhões de formas específicas que podem reconhecer de alguma forma qualquer antígeno. Pesquisadores apontam que essas recombinações por meio de mutações aleatórias do sistema imunológico aumentam a variabilidade e melhoram o meio de defesa. Mas, nessas combinações a codificação de alguns aminoácidos pode ser perdida ou adicionada. É verdade então, que esse fato pode ser considerado como mutações positivas. Neste aspecto devo então retificar meu argumento de que “não existem mutações benéficas em seres humanos”. No entanto, ocorrem drásticas mutações no sistema imune que provocam sérias patologias que podem ser fatais. Além disso, mesmo que relevemos essas mudanças gênicas no sistema imune, isso, tem apenas o papel de aumentar a sua variabilidade e enriquecimento. Isso, não tem nenhuma implicação evolutiva, uma vez que não se acrescenta nenhum material gênico novo ao que já existe no sistema imune, apenas variação para a produção de anticorpos que continuam sendo anticorpos. E o próprio sistema imunológico se tornou uma pedra de tropeço para o neodarwinismo, visto que a literatura científica ainda não tem uma resposta satisfatória para a origem gradual desse sistema 2.

    SELEX (Evolução sistemática de ligantes por evolução exponencial).
    É uma técnica de biologia combinatória in vitro, ou que utiliza os recursos da engenharia genética. Utilizando bibliotecas de oligonucleotídeos, conseguem-se certas moléculas (DNA/RNA) que se ligam a substâncias químicas específicas. Esse processo denominado de “evolução de ligantes por enriquecimento exponencial” tem profundas implicações. Na verdade, trata-se de experimento laboratorial dirigido, que utiliza moléculas biológicas, (bibliotecas DNA/RNA). O ganho de novas funções se trata de processos aleatórios in vitro, que estão restritos as informações gênicas das bibliotecas de oligonucleotídeos, (curtas seqüências de nucleotídeos). Esse modelo experimental também não tem relevâncias evolutivas, uma vez que não haverá nenhuma nova informação gênica além da que existe nesses pequenos fragmentos de DNA/RNA, e não se tem nenhuma codificação diferente das quais são possíveis dentro de seus limites de combinações.

    Especiação
    O fator especiação alopátrica advoga que subespécies podem surgir pela separação geográfica das espécies e com o tempo não se cruzam mais entre si de forma natural. As populações continuam a se desenvolver sofrendo mudanças na freqüência gênica, e uma maior diversificação promovendo distanciação gradual reprodutivas dessas populações. Temos casos experimentais disso, como camundongos levados para as Ilhas Feroé, coelhos levados para as ilhas de Porto Santo, que se tornaram selvagens; com o tempo não mais se cruzaram de maneira natural com os domésticos dos quais descenderam. Ainda temos o exemplo do pulgão da ervilha e rãs americanas. Essa separação geográfica provocou mudanças nos ratos e coelhos, como alteração em estatura e cor do pelo e uma adaptação ao novo ambiente. Isso subtende de acordo com critérios biológicos evolutivos que se formam subespécies. No entanto, verifica-se que essas “subespécies” ainda detêm o mesmo material gênico (Ainda é possível fertilização artificial dessas populações). A especiação não produz mudanças na informação gênica dessas populações. Com o desmembramento alopátrico, formam-se novas raças que podem continuar a se desmembrar. No entanto, isso tende a empobrecer o “pool” gênico da espécie, e as possibilidades de recombinação ficam reduzidas diminuindo a capacidade de adaptação, que tenderia a extinguir as populações que sofrem especiação. Isso levaria a um estado genético mínimo que poderia provocar a ‘morte genética’. De forma que a especiação tem poucas chances em realmente produzir evolução.

    Mutações
    Em 1947 cientistas oficializaram a teoria sintética da evolução, (Neodarwinismo) que se amparou na tese de que novas espécies poderiam surgir através de pequenas mutações úteis acumuladas que seriam preservadas por seleção natural. No entanto, essa hipótese não foi confirmada. Os modelos empíricos apresentados em favor da evolução através de mutações são frágeis e inconsistentes. Como abordei antes sobre o exemplo da resistência bacteriana a antibióticos, que não acrescentam novas informações ao genoma das bactérias, não causam a origem de novas estruturas e nem explicam como essas poderiam surgir. Isto também vale para os modelos de insetos resistentes a inseticidas (DDT) e modificações na cor de mariposas. Mesmo, com o fator de mutações benéficas em favor da evolução, ainda assim, essas mutações estão dentro de limites das espécies e não ultrapassam esses limites. Além da maioria das mutações serem deletérias, estudos experimentais demonstram que para cada mutação útil, milhares são prejudiciais. Citemos o caso das moscas-das-frutas, que produziram apenas aberrações e não construção. A mutação denominada antennapedia, que cientistas produzem em moscas das frutas de laboratórios, faz crescer pernas na cabeça das moscas onde deveria crescer antenas. Essa mutação não tem relevância, visto se tratar de um sério erro genético. “As pernas na cabeça são as pernas típicas da mosca-das-frutas, apenas em um lugar diferente”3. Isto implica em altas probabilidades contra a evolução. A evolução das espécies estaria à mercê de pura sorte, (mas, ciência não se baseia em sorte, mas em fatos) visto que mutações agiriam como um ‘destruidor’ que atira contra tudo, e as possibilidades de mutações benéficas se sobressaírem seriam difíceis, mesmo com seleção natural atuante, pois as mutações prejudiciais são em maioria. O fator “bilhões de anos” não poderia mudar isso. Mesmo com a combinação de milhares de mutações em uma espécie, ainda assim não haveria a origem de novas estruturas, ou evolução entre-espécies. Existe um grande silêncio entre a comunidade evolucionista, no que se refere a apontar mecanismos ou experimentos que sejam capazes através de mutações de produzir novas estruturas e novo material gênico não existente que sejam responsáveis por evolução das espécies.
    Sendo só isso, agradeço
    Aroeira.

    1-Junqueira, L.; Carneiro, José; Biologia Celular e Molecular (1997) – Ed. Guanabara Koogan RJ; p.180).

    2- Behe, Dr. Michael J.; A Caixa Preta de Darwin – (1997) Jorge Z. Editor RJ; p.143.

    3- Behe, Dr. Michael J.; A Caixa Preta de Darwin, – (1997) Jorge Z. Editor RJ; p.49.

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  13. Anônimo12:39 AM

    SELEX (Evolução sistemática de ligantes por evolução exponencial).
    É uma técnica de biologia combinatória in vitro, ou que utiliza os recursos da engenharia genética. Utilizando bibliotecas de oligonucleotídeos, conseguem-se certas moléculas (DNA/RNA) que se ligam a substâncias químicas específicas. Esse processo denominado de “evolução de ligantes por enriquecimento exponencial” tem profundas implicações. Na verdade, trata-se de experimento laboratorial dirigido, que utiliza moléculas biológicas, (bibliotecas DNA/RNA). O ganho de novas funções se trata de processos aleatórios in vitro, que estão restritos as informações gênicas das bibliotecas de oligonucleotídeos, (curtas seqüências de nucleotídeos). Esse modelo experimental também não tem relevâncias evolutivas, uma vez que não haverá nenhuma nova informação gênica além da que existe nesses pequenos fragmentos de DNA/RNA, e não se tem nenhuma codificação diferente das quais são possíveis dentro de seus limites de combinações.
    Aroeira

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  14. Caro Aroeira,

    As alegações de Michael Behe em favor do design inteligente têm sido caracterizadas como pseudocientíficas. Por exemplo, o departamento de biologia da Universidade de Lehigh (EUA), onde Behe leciona, afirma que "é nossa posição coletiva que o design inteligente não tem base científica, não foi testado experimentalmente e não deveria ser caracterizado como científico" (http://www.lehigh.edu/~inbios/news/evolution.htm).

    Quanto ao argumento de que a ciência não se baseia em sorte, mas em fatos, isso não é verdade. Qualquer estudante de biologia sabe que deve entender de estatística, a "ciência da sorte". O fato das probabilidades estarem contra a evolução não é importante. Afinal, eventos de baixíssima probabilidade ocorrem o tempo todo. O que importa é que a evolução ocorreu e ocorre.

    Quanto ao papel das mutações no surgimento de novas espécies, a revista "O homem em busca de origens", edição n°7 da "Scientific American Hitória", traz o artigo "A evolução da teoria darwiniana", assinado por Charbel Niño El-Hani e Diogo Meyer, onde os autores discutem justamente isso. Após discutirem o papel dos genes hox e alguns aspectos da biologia evolutiva do desenvolvimento (evo-devo), os autores afirmam que "... podemos ter grandes mudanças na morfologia dos organismos, mas, ao contrário, uma estrutura se origina da outra através de uma transformação discreta e completa."

    Evo-devo ainda trará grandes surpresas para a teoria da evolução, para desalento dos adeptos do design inteligente.

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  15. Em relação aos comentários do Sr. Aroeira:
    a) Ele se equivoca ao insinuar q um alelo precisa se fixar para demonstrar ser vantajoso. Isso é falso uma vez q no caso da anemia falciforme em um ambiente de malária há vantagem do heterozigoto, caracterizando a seleção balanceadora. Por outro lado, é possível haver fixação de um alelo desvantajoso (por efeito carona, deriva, etc.). Do ponto de vista evolutivo ser portador do alelo S é vantajoso, uma vez q permite ao indivíduo ter mais chances de sobreviver e deixar descendentes do q os indivíduos q não portam nenhum alelo. O alelo c é ainda mais vantajoso, posto q confere resistência à malária sem a contrapartida da anemia em homozigose.
    b) sobre o sistema imune, ele é um outro exemplo dado justamente para a retificação de q não existem mutações benéficas. Tb existem vários experimentos de plaqueamentos de bactérias em meios com antibióticos ou sem um determinado nutriente. Por meio do carimbo de feltro é possível reproduzir colônias previamente crescidas em meio permissível (sem antibiótico ou com o nutriente) em um meio seletivo - e identificar colônias individuais q NÃO são resistentes. Permitindo-se a multiplicação dessas colônias é possível isolar-se mutações NOVAS q conferem resistência (ou capacidade de metabolizar compostos e produzir o nutriente faltante).
    c)O Selex tem várias implicações evolutivas. Entre outras coisas mostram q 1 a cada trilhão de combinações totalmente aleatórias podem ser funcionais - eliminando-se a perspectiva pessimista do furacão em um ferro-velho produzindo um Boeing.
    ---------
    Como dito, a evolução não precisa necessariamente criar coisas novas - geralmente não cria coisas totalmente novas, mas ela é capaz de ensinar truques novos a cães velhos. Do ponto de vista computacional, é possível surgir novas informações, por exemplo, por eventos de duplicação e divergência de genes.

    []s,

    Roberto Takata

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  16. Anônimo10:57 PM

    Fico imaginando, de que adianta vocês ficarem questionando quem tem a razão através de argumentos infindáveis? Os homens lá fora gemem suas dores e formam uma imensa fila rumo ao CEMITÉRIO. Gostaria que a ciência nos desse uma oportunidade de VIDA. Onde ela está? A CIÊNCIA precisa fazer alguma coisa!!!!!!! Estaos fadados a um triste destino. Prá que serve a ciência então?

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  17. Anônimo10:58 PM

    Fico imaginando, de que adianta vocês ficarem questionando quem tem a razão através de argumentos infindáveis? Os homens lá fora gemem suas dores e formam uma imensa fila rumo ao CEMITÉRIO. Gostaria que a ciência nos desse uma oportunidade de VIDA. Onde ela está? A CIÊNCIA precisa fazer alguma coisa!!!!!!! Estaos fadados a um triste destino. Prá que serve a ciência então?

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  18. Caro Anônimo,

    Obrigado pelo seu comentário, mas imagino que a resposta que tenho não vá ser de seu agrado. Por um lado, minha opinião é que função da ciência não é prover conforto espiritual ao ser humano. Se algumas pessoas encontram tal conforto na ciência, é porque têm dela uma visão mais religiosa que científica e, nesse caso, a ciência se torna tão boa (ou tão ruim) quanto qualquer religião. Por outro lado, note que a ciência e a tecnologia contribuiram para tornar a "fila para o cemitério" muito mais comprida. De fato, por volta do ano zero, a expectativa de vida ao nascer era de 30 anos. Hoje, em países como o Brasil, tal expectativa sobe para 72 anos, com valores ainda maiores em países mais desenvolvidos. Essa diferença de 42 anos é o que a ciência acrescentou à vida humana. Bastante coisa, na minha opinião.

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  19. Anônimo7:45 AM

    Olá Sr Profº Álvaro
    Há um equívoco, a meu ver aqui. Não me refiro à religião. Ela não existe. Não tem crédito, não é assim? Tiremos fora a religião, já que Deus não existe. O paleativo dos anos ainda assim se faz inútil. "42 anos" para quem tem condições favoráveis. E quem não as tem? Africanos estão morrendo com menos de 30. Qual é a contribuição da "Ciência" para esta realidade implacável? Não vejo nenhum conforto que a "religião" possa trazer. Quero saber se o conhecimento e o progresso só cooperam com as classes mais favorecidas... A Ciência não deveria promover a harmonia numa sociedade em caos? A ciência só serve para acalentar o ego dos intelectuais ou serve para mais alguma coisa?
    Acho essas locuções enfadonhas e sem objetivo. A meu ver, a ciência deveria ser mais prática e menos teórica a favor das necessidades humanas. Deixem a religião com seus adeptos. Eles que resolvam os seus problemas. A Ciência deveria estar num pedestal mais confiável...

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  20. Bem, se a questão não é religiosa, então tudo fica mais fácil. Note, por exemplo, que o termo "expectativa" de vida denota uma média, o que inclui pessoas de todos os tipos, favorecidas ou não. A média do ano zero incluía camponeses e imperadores, assim como a média de hoje inclui pobres e bilionários. Assim, a situação melhorou de maneira geral, mas é claro que, em um país do tamanho do Brasil e com nossa herança histórica, muitas pessoas ainda vivem nas mesmas condições dos camponeses do ano zero. Só que promover o aumento da qualidade de vida dessas pessoas é muito mais um problema econômico e político do que um problema científico. Os médicos e dentistas existem, mas como fazê-los chegar ao interior da floresta amazônica?

    Concordo que a ciência deve ser prática, mas também deve ser teórica. Deve existir pesquisa de base em todos os países, não só nos países desenvolvidos. Como disse Jawaharlal Nehru, primeiro ministro da Índia entre 1947 e 1964, "Somos tão subdesenvolvidos, que não podemos nos dar o luxo de não apoiar a pesquisa cientifica de todos os tipos, inclusive a pesquisa pura."

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  21. Anônimo2:40 PM

    Olá Sr Profº
    Infelizmente só vi respostas evasivas de sua parte. Infelizmente, notei, pelas suas palavras que a ciência para nada serve mesmo, a não ser acalentar o ego soberbo dos intelectuais. Pensei que a ciência deveria englobar todos os segmentos tanto das licenciaturas como das graduações favorecendo assim a resolução dos problemas humanos. Que adianta a ciência, se ela não consegue resolver o problema do nosso cotidiano.
    Não vejo em que a ciência deve ser tão entusiasticamente defendida. Ela só existe para proporcionar conforto material e uma sobrevida a mais para as pessoas com recursos.
    Francamente!!!!! Estou grandemente decepcionada com a ciência e as falsas religiões.
    A meu ver o nosso mundo está num beco sem saída... Sem respostas...
    Sem futuro quanto às maldades do homem. O que pode superar o egoísmo, o vandalismo, o ódio racial, o desamor, a malícia, o roubo, o alcoolismo, os órfãos de guerra, a fome, a traição, o fanatismo religioso?

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  22. Prezada Anônima,

    Não entendo que minhas respostas sejam evasivas. O que ocorre é que provavelmente elas não são do tipo de resposta que você gostaria de receber. Mas, idnfelizmente, o Universo não foi construído de acordo com as nossas especificações. A ciência serve para saciar a curiosidade humana. Só isso. Da mesma forma, a ciência nunca prometeu que haveria uma "saída" para a humanidade. A única promessa da ciência, seja ela social, biológica ou exata, é descrever o mundo como ele é. Todo o resto, incluindo os 42 anos adicionais de expectativa de vida, é "efeito colateral". Mas se você acha que esse efeito colateral não é benéfico e que a ciência não serve para nada, experimente viver sem antibióticos, sem vacinas e sem anestesia.

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  23. Anônimo11:13 AM

    Senhor Profº
    Talvez não me tenha feito entender. Eu sei o quanto a Ciência tem progredido (se não, não estaria nem lhe enviado esta mensagem), mas não é sobre isso a minha perplexidade. Não é essa contribuição a que me refiro. É a complexidade humana de tirar a oportunidade de viver das pessoas. Você sai para a rua, vai fazer coisas importantes e não sabe se volta para casa. É a isso que me refiro. O século 20 passou por uma revolução, sem dúvida nenhuma em todas as áreas, mas o ser humano continua complexo, mau e corrupto em todos os níveis da sociedade e a Ciência é completamente incapaz de mudar essa situação, entende? Não sei em que a ciência tem ajudado a alterar essa condição da raça humana. É um buraco negro impossível de ser preenchido. Essa é a minha interrogação e o meu desinteresse em saber quem “Tem a razão, sobre o X da questão”.
    Não estou à procura de argumentos infalíveis. Será que vencer os argumentos é uma maneira de receber congratulações ou ver o que se pode fazer de concreto à favor da humanidade.? Estamos como num beco sem saída...

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