segunda-feira, dezembro 04, 2006

Deus e Richard Dawkins

É divertido imaginar como seria um universo no qual o céu e o inferno realmente existissem. No céu certamente encontraríamos Madre Teresa de Calcutá, alguns santos católicos (mas não todos) e, talvez, um ou dois papas, além de James Clerk Maxwell e Michael Faraday. No inferno encontraríamos gente como Sigmund Freud, Albert Einstein, Carl Sagan, Richard Feynman, Bertrand Russel, Hipácia de Alexandria, Charles Darwin, Daniel Dennett, James Randi, Michael Shermer, Carlos Drumond de Andrade, Linus Torvalds, Newton da Costa, Ligia Fagundes Teles, Isaac Asimov, Douglas Adams, Arthur C. Clarke, Stanislaw Lem, Woody Allen, Marcelo Gleiser, Peter Singer, Albert Camus, Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre e vários outros. Resumidamente, quase todas as pessoas interessantes e com quem valeria a pena conversar estariam no inferno. É claro que também encontraríamos lá algumas figurinhas difíceis, como Hitler, Stalin, Getúlio Vargas e Carlos Prestes, mas em um lugar tão grande seria fácil encontrar um cantinho reservado para uma conversa demorada (já que o tempo não seria problema) com as maiores mentes científicas e literárias que já existiram. E isso incluiria, é claro, Richard Dawkins.

Richard Dawkins é um biólogo evolucionista nascido em 1941, no Quênia, mas educado na Inglaterra. A partir de 1976, com a publicação de “O gene egoísta” [1], Dawkins começou a se sobressair como divulgador da ciência, humanista e grande defensor do dawinismo e do racionalismo, levando tal defesa tão longe que, se Thomas Huxley foi apelidado de “o buldogue de Darwin”, muitos acreditam que Dawkins deveria ser apelidado de “o rottweiler de Darwin”.

A pregação anti-religiosa tem sido a principal atividade de Dawkins nos últimos tempos, principalmente após a publicação do livro “The God delusion” [2], em setembro de 2006. Dawkins também acaba de inaugurar a “Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência”[3], atualmente em fase de desenvolvimento. Em uma entrevista concedida à BBC [4], Dawkins afirma que não deseja atingir as pessoas profundamente religiosas, mas apenas os indecisos, aquelas pessoas levemente religiosas, que vão à igreja uma vez por ano e nunca pensam muito sobre o assunto. “Eu quero dar a elas muito em que pensar”, diz Dawkins.

Em vários pontos, Dawkins tem razão. Ele condena, por exemplo, a visão preconceituosa de que os ateus seriam necessariamente pessoas “más”. De fato, quando alguém pergunta “você acredita em Deus?”, a pergunta verdadeiramente implícita é “você acredita em um Deus que possa mandá-lo para o inferno caso você faça algo moralmente condenável?”. Nas mentes simples de tais pessoas, Deus seria a única razão capaz de evitar, por exemplo, que alguém cometa assassinato. Contudo, mesmo ateus radicais têm uma razão muito simples para não matar outras pessoas: ao realizarmos tal ato, estaríamos dando a autorização explícita para que os outros nos matem. Imagino que assassinos devam se tornar inquietos, desconfiados e hipertensos, pois passam a vida tentando evitar que os outros façam com eles aquilo que eles fizeram com os outros.

A raiz da verdadeira bondade não reside na crença em Deus ou no juízo final, mas em uma forma altamente refinada de altruísmo recíproco que só os seres humanos, até onde sabemos, foram capazes de desenvolver. Além disso, todas as sociedades humanas desenvolveram um sistema de controle de atividades, que funciona bem em alguns lugares e muito mal em outros, mas certamente muito melhor do que um sistema baseado no temor divino: o sistema judiciário, ao qual todos estamos sujeitos.

Dawkins também tem razão quando levanta a questão do “abuso mental” sofrido pelas crianças de todas as religiões. Ele argumenta que não há maior sentido na expressão “criança católica” do que há na expressão “criança marxista”. Assim, deveríamos deixar as crianças crescerem livremente, imersas somente em algum tipo de filosofia moral que possibilitasse a formação de valores, e deixar a questão da escolha religiosa para mais tarde, quando a criança tivesse argumentos para tal. Só que esse mundo ideal jamais existirá, a não ser em poucos casos, pois os pais estão quase sempre ansiosos para impor seus sistemas de crenças sobre os filhos, seja por medo, tradição ou um misto dos dois. O que dizer, por exemplo, daquele ritual de purificação para recém-nascidos que os católicos tanto prezam? A quem se destina tal ritual? À criança ou aos pais e à comunidade religiosa?

Em outros pontos, Dawkins parece um pouco ingênuo ao considerar a mente religiosa. Após descrever detalhadamente que a vida na Terra e a consciência humana resultam de milhões de anos de seleção natural, e que não haveria papel algum para Deus nesse processo, ele sempre se depara com a afirmação de que Deus está além da razão e da compreensão humanas e de que as leis da física nada são para ele. Em outras palavras, por que um ser onipotente deveria ser limitado pela lógica humana? Dawkins responde que, se deixarmos de lado a razão (ou seja, a ciência), poderemos demonstrar a existência de qualquer coisa, desde fadas encantadas até o monstro de espaguete voador, o bule de chá orbital, o unicórnio dourado e outros milhões de coisas. Esse argumento não é propriamente original, embora Dawkins o use com maestria, mas ele tem apelo a um público específico: o público dotado de mente cética e científica. O argumento pode ter ainda algum apelo aos indecisos de Dawkins, mas os religiosos jamais admitirão um deus limitado pela lógica humana, pois os deuses, desde o início, foram imaginados como criaturas sobre-humanas, vivendo em um mundo à parte (Olimpo, Valhalla, Vorta Vor, Sha Ka Ree, Céu, etc), criadores das leis físicas e não regidos por elas.

Em todos os tempos, vários cientistas e intelectuais têm se posicionado contra a religião. Dawkins, contudo, vai longe demais. Ele chegou à conclusão de que não é suficiente ensinar ciência, mas que é necessário atacar frontalmente as religiões, as quais representariam “a raiz de todo o mal”.

Por exemplo, no segundo capítulo de seu livro mais recente, ele afirma que: “O deus do Antigo Testamento é provavelmente o personagem mais desagradável de toda a ficção: ciumento e orgulhoso disso; um maníaco por controle, miserável e injusto; um abusador vingativo, eugenista sedento por sangue, misógino, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista e caprichosamente malévolo”. Quando foi lido frente a uma audiência de 600 pessoas [5], esse parágrafo provocou risos e aplausos, mas dificilmente atrairá a simpatia de judeus, cristãos e muçulmanos, os quais rapidamente apresentarão centenas de argumentos para provar que Deus não é tão mau assim.

Esse “ateísmo radical”, “militante” ou “beligerante” não é novidade, embora os propósitos tenham variado ao longo do tempo. Em 1844, Karl Marx, um sujeito muito menos bem-humorado do que Dawkins e bem menos agradável de se ler, escreveu: “A religião é o ópio do povo. É preciso combater a religião como felicidade ilusória das pessoas em nome da felicidade real”. O materialismo dialético de Marx e Engels, uma filosofia tão boa quanto qualquer religião fundamentalista, encontrou terreno fértil nas mentes doentias de gente como Lênin e Stalin, que tentaram implantar o comunismo (ou, mais apropriadamente, o socialismo de Estado) na URSS, ao mesmo tempo em que combatiam qualquer tipo de religião por meio da força. Na verdade, todos os assassinatos cometidos em nome do comunismo, na ex-URSS ou em qualquer outra parte, constituem uma grande prova de que Dawkins está errado, ou ao menos parcialmente enganado, ao afirmar que a religião é a raiz de todo o mal. A raiz de todo o mal são idéias totalitárias e dogmáticas, papel freqüentemente encarnado pela religião, mas não só por ela. E se o ateísmo se tornar dogmático, terá aberto a porta para todo tipo de arbitrariedades.

Minha posição pessoal, portanto, é a do liberalismo. Não me sinto à vontade em ver propostas para que o ensino religioso seja oferecido em escolas públicas. Não me sinto à vontade quando me perguntam se acredito em Deus, pois sei o que está por trás da pergunta. Não gosto de ver crianças freqüentando igrejas (e não só por causa da doutrinação explícita, mas também porque as crianças têm muito mais o que fazer com um tempo que não volta mais). Acho simplista demais acreditar que uma comunidade de camponeses semi-alfabetizados às margens do Mediterrâneo descobriu todos os segredos do Universo. Mas também não gosto de ver pessoas sendo forçadas a abandonar a religião. Já vimos essa história antes e sabemos como ela acaba.

A falsa ciência certamente deve ser combatida, o que inclui a nova praga do “design inteligente”, anteriormente denominado “criacionismo científico”. Mas esse combate deve ser feito por meio da divulgação de idéias científicas, não do confronto direto. Os religiosos continuarão a argumentar que Deus existe além da matéria, que não devemos estudar o momento inicial da criação, que o evolucionismo é “apenas uma teoria”, que homens e dinossauros foram contemporâneos, que a Bíblia deve ser adotada como livro-texto nas escolas e que todas as respostas estão no Gênesis. A ciência tem respostas para todas essas questões, além de ter uma vantagem que a religião não tem: a ciência é capaz de evoluir e de corrigir seus próprios erros. São essas respostas que devemos divulgar, e não a idéia de que a religião deve ser erradicada da face da Terra.

Não estou sozinho nesse pensamento liberal. Marcelo Gleiser escreveu recentemente dois artigos criticando o radicalismo de Dawkins [6] [7]. Gleiser, que tem se declarado ateu em bem mais de uma oportunidade, diz que “o sobrenatural é completamente incompatível com uma visão científica do mundo”. Mesmo assim, ele diz não acreditar em extremismos e intolerância. De fato, se o ateísmo for capaz de provocar uma única morte devido à radicalização proposta por Dawkins e outros, esses novos ateus terão provado serem tão ruins quanto os religiosos, e de nada servirão para a humanidade.

[1] DAWKINS, Richard. O gene egoísta. Ed. Itatiaia. 2001.
[2] DAWKINS, Richard. The God delusion. Houghton Mifflin. 2006
[3] Disponível em http://www.richarddawkins.net/foundation . Acesso em: 04 dez. 2006.
[4] Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=LC9fB_oX4Y0 . Acesso em: 04 dez. 2006.
[5] Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=YA9sFkYZSk8 . Acesso em: 04 dez. 2006.
[6] GLEISER, Marcelo. Ateísmo radical. Folha de São Paulo. 26 nov 2006.[7] GLEISER, Marcelo. Ateísmo (menos) radical. Folha de São Paulo. 3 dez 2006.

11 comentários:

  1. Anônimo11:27 AM

    teste de comentário.

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  2. Nas minhas visitas a doentes terminais em um hospital de Belo Horizonte; vítimas da AIDS estavam muitas vezes,descartadas pelas pessoas e esquecidas no seu leito de morte. O desespero pela sua condição era implacável. Não vi nenhum filósofo, compartilhando suas crenças com aqueles doentes moribundos. Creio não ter visto Sigmund Freud, Albert Einstein, Carl Sagan, Richard Feynman, Bertrand Russel, Hipácia de Alexandria, Charles Darwin etc sendo apresentados como um consolo vital para aqueles seres humanos desprezados pela sociedade.
    Não vi ninguém falando acerca da teoria da Evolução para dar um pouco de alívio àquelas pessoas. Não vi nenhum ateu compartilhar de suas idéias para ajudar no conforto espiritual de ninguém por ali. (aliás que conforto poderiam dar?) No dicionário deles não existe essa palavra. Não vi nenhum ateu para informar que aquelas pessoas, cujas vidas foram marcadas pela desgraça, estavam livres do seu encontro inevitável com o Criador.
    Não vi ninguém por alí dizendo que a religião é o ópio do povo. Mas vi alí, homens e mulheres orando ternamente por aqueles pacientes sem esperança. Vi a Bíblia sendo lida com carinho por centenas de cristãos que por ali passam diariamente. Talvez não tenhamos a cultura necessária, ou então o método mais bem elaborado, mas uma coisa é certa o sofrimento só pode ser encarado face a face, por aqueles que têm ESPERANÇA. E a única esperança para a humanidade é o SANGUE VERTIDO NO CALVÁRIO por nosso SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO. Se a crença em Deus, me leva a este patamar na minha experiência cotidiana, prefiro ficar com a religião do que me apoiar na bengala cheia de cupins do ateísmo, nem que seja só por isso.
    Atenciosamente
    Natali Brust
    48 anos, mineira de itajubá
    "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho ungênito, para que todo aquele que nele CRER, não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16

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  3. Cara Natali,

    Obrigado pelos seus comentários e pela visita ao meu blog. É claro que me compadeço do sofrimento das vítimas de AIDS e de outras doenças. Não fazê-lo seria ser um pouco menos humano. Contudo, não cabe à ciência prover conforto espiritual ao ser humano. Essa é a função da religião, da psicologia, da psicanálise, da filosofia. A função da ciência é meramente descobrir como funciona o mundo natural. Se as descobertas da ciência são desconfortáveis, bem, isso é outra história. Mas apesar disso, eu não seria capaz de visitar um hospital e pregar minha desconfiança no juízo divino. Tal pregação não melhoraria a vida dos pacientes e talvez até piorasse. Deve ser essa a razão da ausência dos cientistas nos hospitais que você mencionou. Contudo, quando Sagan e Feynman morreram, eles tinham ao lado pessoas igualmente céticas. Ann Druyan, que foi casada com Sagan, comenta sobre isso em http://www.nndb.com/people/291/000026213/

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    Alvaro Augusto

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  4. Resolvi entrar no site citado pelo senhor, em seu comentário - http://www.nndb.com/people/291/000026213/
    Eu diria que úma vida tão brilhante não poderia terminar assim - sem esperança. Que tragédia! Não posso conceber a idéia de um não possível reecontro de pessoas que se amaram tanto.
    Depois me vi pesquisando sobre a vida deste homem tão inteligente - Carl Sagan. Que contribuição mais patética para a humanidade:
    • Foi fundamental para o descobrimento das altas temperaturas de Vênus
    • Um dos principais estudiosos das mudanças de estações na aparência de Marte

    *Foi eminente cientista visitante do JPL (Laboratório de Jato Propulsão)
    Editor chefe da Icarus, a principal revista de estudos do Sistema Solar
    • Mais de 400 artigos científicos e populares publicados
    • O filme co-produzido por ele, baseado em seu livro Contato, foi concluído pouco após sua morte.
    • Um asteróide leva hoje seu nome.
    O joel, que trabalha voluntariamente com ambulâncias na cidade de Araçatuba, me pareceu estar fazendo muito mais pelo bem da sua comunidade, transportando pessoas enfermas para hospitais da região.
    Muito mais tem feito o Rev Wildo, recolhendo mendigos de Anápolis e recuperando-os e os introduzindo de maneira mais eficaz no "mundo real".
    http://www.mvida.org.br/ - se tiver um tempo para acessar o site...
    A Missão que surgiu na Madrugada conta a história do jovem que, tocado pelo Senhor, ouviu o clamor mudo de quem não tinha a quem recorrer. Doar alguns momentos para tentar amenizar o sofrimento de algumas pessoas foi um gesto de solidariedade que também mudou radicalmente a vida daquele rapaz. A partir deste gesto nasceu a Missão Vida, instituição filantrópica que há dezoito anos se dedica à recuperação de homens de rua, devolvendo-lhes a dignidade, o amor-próprio e dando-lhes a possibilidade de uma nova vida.

    Tenha um BOM DIA!
    Atenciosamente:
    Natali Brust

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  5. Cara Natali,

    As contribuições científicas de Sagan são realmente importantes. Elas ajudam, por exemplo, a entender melhor o efeito estufa no planeta Terra e o fenômeno do aquecimento global, assunto tão em voga no momento. E mesmo que Sagan não tivesse feito uma única contribuição científica relevante, ele ainda seria um dos maiores divulgadores científicos que já existiu. A série "Cosmos", realizada por ele nos anos 80 é exibida até hoje na PBS (EUA) e está disponível em DVD. "Cosmos" tem contribuído para estimular os jovens estudantes a seguir carreiras técnicas e científicas e a entender o papel social da ciência: melhorar a vida das pessoas e diminuir o sofrimento. Uma vida nada patética!

    A diferença é que não é função da ciência, como eu já disse, prover conforto espiritual. No máximo, a ciência pode prover conforto material e uma certa visão de que somos parte do universo, mas não o auge da criação. A ciência é também cética e não se contenta em ver o mundo como gostaríamos que fosse (vida após a morte, redenção, etc), mas sim em ver o mundo como de fato é. E é preciso muita coragem para aceitar essa visão.

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    Alvaro Augusto

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  6. Desconheço coragens como essa. Coragem para mim é viver com um salário mínimo e chegar até o final do mês com ese minguado recurso. Coragem é continuar crendo em Deus, mesmo sob tortura e morte. Coragem, é você dar seu último pacote de macarrão para alguém que tem muito menos que você.
    Coragem é tomar uma parte do seu salário, que pode ti fazer falta e fazer uma boa compra para uma família carente. Coragem é você perdoar uma dívida de 5.000 reais, sendo que ela poderia ajudar a pagar a faculdade do seu filho, que tem que voltar para casa, pois não tem como manter-se. Sim, é preciso muita coragem para emprestar seu carro e depois só receber a "chave dele" de volta, sem se lamentar e cobrar nada. Quem dera, as pessoas tivessem coragem para se aventuraram numa descoberta que pode ir além das suas percepções materialistas.
    Desculpe, mas as descobertas de Carl Sagan, não contribuíram ainda para nada de importante na minha vida pessoal, e para a dele também creio eu. Sua espectativa só vai até o túmulo; e a minha tem uma eternidade pela frente, como infinitos são os números.
    Atenciosamente:
    Natali Brust

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  7. Cara Natali,

    Não podemos misturar as coisas. Não é a bíblia que diz que "nem só de pão vive o homem"? Além disso, os cristãos agem da forma que você mencionou só porque estão de olho no prêmio máximo: o paraíso. É apenas uma forma refinada de altruísmo recíproco. Pode ser altruísmo, mas é recíproco. Será que eles agiriam dessa forma se a bíblia não lhes prometesse nada em troca?

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    Alvaro Augusto

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  8. Acho que a idade está mesmo afetando meus últimos neurônios. Seu blog, não mudou em nada. Entrei no tópico das Sete Maravilhas e afoitamente achei que tinha mudado alguma coisa. Chegar aos cinquenta não está me fazendo nada bem. eheheh
    Você não dá mesmo o braço a torcer não? Vejo que você é um total ignorante da Bíblia, pois ela afirma que não é por obras que verá o paraíso - é pela fé(talves tenha assimilado este conceito da famigerada Igreja Apóstata Romana) Você está me parecendo aquela rã do brejo - que nunca saiu do lôdo e cujas perspectivas não vão além do que seus olhos alcançam, por isso teima em dizer para as outras rãs do seu habitat tenebroso, que um lago cristalino rodeado de sombras aconchegantes, não passa de uma ilusão elaborada por uma mente doentia, ou quem sabe uma "miragem".
    Se a minha esperança se limitasse a apenas esta vida, eu seria a mais miserável de todas as mulheres. Almejar o Paraíso é assim tão repugnante para você?
    Atenciosamente Natali
    Desculpe os erros do meu comentário anterior. Digito e esqueço de concertar meus erros. Deve ser o meu temperamento sanguíneo.

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  9. Cara Natali,

    Eu fiz algumas experiências com um novo modelo de blog e ele ficou diferente durante alguns instantes. Talvez, por coincidência, você tenha acessado o blog justamente durante esses instantes. Acabei retornando ao modelo original, pois não gostei dos outros.

    Quanto à parábola da rã, ela não me parece adequada. Primeiro, porque a rãs estão totalmente adaptadas ao nicho ecológico em que vivem. O pântano lamacento, que para um ser humano parece repugnate, é, para a rã, um paraíso tão bom quanto o lago cristalino. Segundo, porque não há relato de nenhuma "rã-humana" ter voltado do paraíso com provas de que ele exista. A moderna ciência cognitiva está aos poucos reunindo provas de que nossa crença nos pós-mortem é mero resultado da maneira como o cérebro é construído.

    Quando a eu ser um "total ignorante da Bíblia", isso não é verdade. Apenas a interpreto de uma maneira totalmente diferente dos religiosos.

    [ ]s

    Alvaro Augusto

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  10. Natali, pense o que quiser, mas o Joel não teria para onde mandar os pacientes se a medicina não tivesse evoluído, e o Rev. Wildo não precisaria recolher mendigos se os cristãos praticassem o que pregam.

    Apesar do que você pensa, o trabalho do Carl Sagan te afeta sobremaneira, principalmente se você considerar a possibilidade de a ciência poder reverter o aquecimento global. É devido ao trabalho dos cientistas que estamos entendendo o que séculos de exploração irracional feita por cristãos estão causando ao nosso planeta.

    Mas se você só dá valor ao trabalho social, fique com o ateu Dráuzio Varella, visitando as populações ribeirinhas da Amazônia, ou com o ateu Betinho e sua campanha contra a fome no Brasil, que finalmente jogou na cara do cristão médio brasileiro a realidade de tanta gente que não tem o que comer.

    E deixe a bondade ser o seu próprio prêmio.

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  11. Ótimo comentário sobre a obra de Dawkins Alvaro. Em especial sobre a refinada plateia - de gênios - que encontrariamos nas profundezas. Parabéns!

    Confesso que sou partidário de Dawkins. Afinal, utilizar luva de pelica - como o próprio autor mensurou nos textos iniciais da obra- para combater a inquisição não tem surtido efeito. Isso é o que indicam os próprios argumentos e estatísticas de Dawkins.

    Concordo, também, com sua conclusão inteligente e ponderada. No entanto, acredito que ela sirva mais para nós brasileiros, que não nos matamos pela religião. Ao contrário, encontramos maneiras pacíficas de conviver com a multicultura (não que isso seja uma grande vantagem!). Mas me pergunto o que eu faria diante da intolerância religiosa, ou se tivesse um ente querido vítima dessa postura intransigente. É importante, na história, que uns tenham posturas de Ghandi e outros de Antônio Conselheiro. Cada qual tem o seu custo, e sua vantagem.

    Abrs. Adilson

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